quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Para homenagear Oscarino, lei apaga história do criador do movimento negro

O Projeto de Lei, cujo autor é David Reis, muda o nome da praça Nestor Nascimento, pioneiro na luta pelo direito civis dos negros, para o do ventríloquo Oscarino Varjão.
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A decisão da Câmara Municipal de Manaus (CMM) de mudar o nome da praça Nestor Nascimento, no bairro Praça 14, para homenagear o artista Oscarino Varjão, conhecido por dar vida ao personagem ‘Peteleco’, enfureceu os representantes do movimento negro no Amazonas. Eles prometem, no retorno das atividades legislativas, enviar aos vereadores um abaixo-assinado repudiando a aprovação do Projeto de Lei 354/2021, de autoria do presidente da Casa, David Reis (Avante).

O PL foi sancionado pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), nesta segunda-feira (26), e autoriza a mudança no nome do parque público localizado entre a avenida Japurá e a esquina da rua Afonso Pena.

Porém, o que o vereador não atentou foi ao reconhecimento de Nestor como um dos pioneiros na luta dos direitos civis das pessoas negras no Amazonas, inclusive sendo torturado durante o período da ditadura militar pela resistência do Movimento Alma Negra (Moan), do qual ele é fundador. Além disso, Nestor viveu boa parte de sua vida no bairro Praça 14, daí a homenagem com a nomeação do espaço público para o ativista.

Representantes vão à CMM

Na manhã desta terça-feira (27), representantes de pelo menos três movimentos que representam a causa no Amazonas foram à CMM pedir a revogação do lei. Um deles foi o presidente do Instituto Afro Origem, Cristhian Rocha. Segundo o ativista, mesmo reconhecendo a importância de Oscarino para o cenário cultural amazonense, o Legislativo vem prestando um desserviço à população negra.

O único a votar contra o projeto que permite a troca do nome da praça foi o vereador William Alemão (Cidadania). A reportagem buscou contato com o vereador David Reis, mas as ligações não foram atendidas.

“Não nos falta mais nada (…) a comunidade negra já se sente desprestigiada (…) Eu, sinceramente, já não sei mais o que falar sobre o que estamos passando. Eles retiraram o nome do homem que é fundador do movimento negro”, disse o Cristhian Rocha, lembrando ainda o recente episódio na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) onde, em meio à falas racistas, os deputados rejeitaram um PL que garantia maior atenção ao atendimento hospitalar de negros e negras no estado.

Texto: Giovanna Marinho

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