A retenção de navios cargueiros por problemas sanitários é apontada pelos empresários da indústria como um dos fatores contribuintes para o atraso no fornecimento de insumos às fabricantes do Polo Industrial de Manaus (PIM). A interrupção no trajeto estaria agravando o cenário industrial, que já vem sofrendo por fatores logísticos e pela inadequação de fornecedores ao aumento da demanda.
O presidente da Associação dos Fabricantes de Componentes da Amazônia (Aficam), Roberto Moreno, comenta que o gargalo do desabastecimento de insumos necessários à indústria tem sido intensificado pela retenção de cargas, nos portos, por ocorrência de contaminação pela Covid-19, entre os tripulantes da embarcação.
“A logística, globalmente, está com atrasos de entregas ocasionados por aumento da demanda e problemas sanitários em portos e aeroportos. É lamentável, mas necessário. Cargas e tripulantes são mantidos em quarentena”, informou o empresário.
Segundo o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o efeito Canal de Suez também contribuiu para a extensão no tempo de fornecimento dos componentes.
“A indústria no Amazonas sofre por questões logísticas. A interrupção no Canal de Suez atrapalhou e ainda tem a questão dos navios que estão vindo. Se um tripulante estiver contaminado por Covid-19, o navio fica parado (em quarentena) até que a situação se resolva. Tem toda uma complexidade, mas isso vai se equalizar”, disse Périco.
Anvisa monitora os navios
O coordenador regional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jerfeson Caldas, afirma que a interrupção no trajeto do navio cargueiro pode acontecer.
Monitoramento de embarcações controlado pela Anvisa aponta que de janeiro de 2020 ao dia 16 de maio de 2021 apenas um navio que transportou cargas para o Amazonas ficou em quarentena por questões sanitárias. Mas, em relação aos demais estados, 176 navios foram embargados.
“É natural que aconteça, é possível (transporte de carga ser interrompido). Uma embarcação estrangeira que apresente situação suspeita de contaminação é colocada em quarentena. A vigilância epidemiológica realiza a testagem da população e avalia condições sanitárias e é feito o acompanhamento”, explicou o coordenador.
Sindarma e Antaq desconhecem informações
O Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) informaram que não têm informação sobre cargas retidas em navios por conta de problemas sanitários.
Texto: Priscila Caldas
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