Jair Bolsonaro (sem partido) prestou depoimento à Polícia Federal na noite desta quarta-feira (3). A oitiva tratava sobre o inquérito que foi aberto após o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, ter dito que o presidente tentou interferir nos trabalhos da corporação.
Em depoimento presencial, Bolsonaro afirmou que o ex-ministro teria condicionado a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal (PF) à sua própria indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ramagem era o nome preferido do Presidente.
A quatro dias do fim do prazo judicial que terminaria em 7 de novembro, o mandatário da República prestou depoimento à PF no inquérito que apura suposta intervenção política na corporação. O depoimento ocorreu após determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.
Bolsonaro confirmou que pediu, em meados de 2019, a troca do diretor-geral da corporação, à época sob o comando do delegado Maurício Valeixo, por “falta de interlocução” entre os dois.
Moro afirmou, ao deixar o Ministério em abril do ano passado, que Bolsonaro queria interferir no trabalho que Valeixo e a Polícia Federal realizavam na Superintendência do Rio de Janeiro, onde corriam inquéritos sigilosos sobre familiares e amigos do presidente, entre eles o do ex-assessor de um dos filhos do presidente, Fabrício Queiroz.
O ex-ministro, que chegou ao Brasil nesta quarta-feira para se filiar ao Podemos, repudiou o depoimento de Bolsonaro e voltou a acusar o presidente de querer interferir e obter informações sigilosas das investigações tocadas pela Polícia Federal.
Texto: Gerson Severo Dantas, com informações do Portal Metrópoles
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