quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Maximiano: velho conhecido no mundo dos negócios fala à CPI nesta quinta

Empresário fugiu duas vezes do depoimento alegando que cumpria quarentena sanitária por ter viajado à Índia. Nesta quinta-feira, contudo, não poderá fugir dos investigadores.
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Maximiano

O empresário Francisco Maximiano é um velho conhecido no mundo dos negócios de Brasília, com diversas empresas abertas e negociando com o Ministério da Saúde e com os governo do Distrito Federal. Nesta quinta-feira (19), contudo, Maximiano ficará frente a frente com seus contratos suspeitos ao depor na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado Federal.

Com enfoques diferentes, os negócios de Maximiano despertam interesse nos senadores e, por isso, o habeas corpus que conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF) deverá ser usado a todo momento. As tratativas suspeitas da Precisa com o governo do Distrito Federal, por exemplo, serão expostos em detalhes pelos senadores Izalci Lucas (PSDB/DF) e Leila Barros (Cidadania/DF), ambos virtuais candidatos de seus partidos para enfrentar o atual governador Ibaneis Rocha (MDB).

Para a secretária de Estado da Saúde do Distrito Federal, Izalci Lucas afirmou que a Precisa vendeu testes para detecção de Covid por R$ 180, quando o preço de mercado estava na casa de R$ 18.

“Foi por este preço que o Sesc aqui do DF comprou testes, então esse sobrepreço está evidente”, afirmou Izalci. Por conta desse negócio, a Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira, o ex-secretário de Saúde de Ibaneis, Francisco Filho, que estava em Manaus visitando familiares.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB/AL), quer respostas de Maximiano desde os negócios feitos com o ministério na gestão de Ricardo Barros, ministro da Saúde do governo Michel Temer e atual líder do governo Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara Federal. Para o ministério de Barros, Maximiano usando a empresa Global Medicamentos, que é uma das donas da Precisa Medicamentos, vendeu mais de R$ 25 milhões em medicamentos para doenças raras, mas não entregou nada ao ministério. O negócio é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Agora, a maioria dos senadores vai pressionar Maximiano pelo contrato firmado pela Precisa com o ministério para a aquisição de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech. Sobre este negócio, a CPI já ouviu a diretora-executiva Emanuella Medrades, que falou bastante sobre a negociação, e o advogado da empresa, Túlio Silveira, que nesta quarta-feira (18), passou a maior parte do depoimento em silêncio para não se autoincriminar.

Maximiano terá ainda que explicar como conseguiu vender, em 20 de fevereiro deste ano, a vacina Covaxin para o ministério por preço 50% superior ao oferecido pela Bharat em novembro. Terá de explicar também como tentou receber antecipado R$ 1,5 bilhão pelas doses, que sequer foram entregues no quantitativo definido em contrato, bem como exigiu o pagamento em uma terceira empresa, a Madison, instalada no paraíso fiscal de Singapura.

A compra da Covaxin foi cancelada pelo ministério após denúncia feita pelo diretor de Importação da pasta, Luís Ricardo Miranda, que ao lado do irmão, o deputado federal Luís Miranda (DEM/DF), levaram o caso para o conhecimento do presidente Bolsonaro.

Texto: Gerson Severo Dantas

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