A pré-candidata à prefeita de Manaus pelo PT, Anne Moura, disse, em entrevista ao canal RealTime1 Play, que diverge da ministra do Meio Ambiente Marina Silva sobre a rodovia BR-319, mas acusou os adversários de Marina no Amazonas de cometerem “violência política de gênero” contra ela.
“Quero para ela o mesmo tratamento (que dão aos homens). Mas não é isso que vemos! A forma com que a tratam, a forma de divergir dela – apontando o dedo na cara, querendo desclassificá-la, falando grosso… Isso se caracteriza como violência política de gênero, sim“, enfatizou Anne Moura.
A pré-candidata do PT também comparou o tratamento dispensado pelos adversários do Governo Lula aos ministros do passado, como o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que, ao longo do governo de Jair Bolsonaro (PL), por várias vezes editou medidas que prejudicaram a Zona Franca de Manaus.
“No governo anterior, o ministro ameaçava a Zona Franca de Manaus e todos sabem que sobrevivemos disso, mas não vi ninguém falar grosso com ele (Paulo Guedes). Não vejo esse tratamento nem mesmo com outros ministros de Lula. Por que será? Será que é porque ela é mulher?“, questiona Anne Moura.
Imbróglios da BR-319
Sobre o posicionamento de Marina Silva contra a reconstrução da BR-319 sem salvaguardas ambientais, Anne Moura lembrou que tem divergências com ela sobre a obra por ser “um desejo dos amazonenses, há muito tempo”.
Anne Moura, contudo, lembra que é trabalho da ministra lutar pela garantia de sustentabilidade, cuidado com os povos originários, com as comunidades tradicionais, principalmente no Sul do Amazonas, que sofrem com a degradação ambiental ao longo da reconstrução da rodovia.
“Tenho divergências com a fala dela sobre a BR-319, acho até que ela está corrigindo esse posicionamento, pois faz parte de um governo que deseja fazer a estrada. Neste ponto, me somo à bancada e a todos que lutam para sairmos do isolamento a que estamos submetidos sem a estrada“, finalizou.

O que é violência política de gênero?
Esse tipo de violência direcionada a pessoas com base na forma como a sociedade estabelece a inserção de cidadãos em sua estrutura, especialmente mulheres, é uma violação dos direitos humanos e obstáculo à participação igualitária nas esferas políticas.
A violência política de gênero pode assumir várias formas, desde assédio verbal e difamação até ameaças físicas e agressões. Essa prática nefasta visa intimidar, desencorajar e, em última instância, excluir mulheres e outros “gêneros” do processo político que é estruturalmente patriarcal (onde quem manda é o homem).
É considerada pelos especialistas uma ferramenta de opressão que perpetua desigualdades estruturais e reforça estereótipos de gênero prejudiciais.
Além do impacto direto nas vítimas, ela contribui para a sub-representação das mulheres em posições de poder e decisão. Isto é particularmente preocupante, considerando-se que a representação equilibrada de gêneros é crucial para o desenvolvimento de políticas inclusivas e eficazes.
Em muitos países, a violência política de gênero permanece um desafio significativo, muitas vezes exacerbado pela falta de leis específicas que a proíbam e pela cultura de impunidade. O combate a essa violência requer uma abordagem multifacetada, incluindo a criação de marcos legais robustos, o aumento da conscientização sobre a questão e a promoção da igualdade de gênero em todos os níveis da sociedade.
Ações concretas também são necessárias para apoiar as vítimas e responsabilizar os perpetradores. Isso pode incluir programas de apoio psicológico, mecanismos de denúncia acessíveis e processos judiciais eficazes.
Além disso, é fundamental incentivar uma maior participação das mulheres e pessoas LGBTQUIAPN+ na política. Isto não apenas combate a sub-representação, mas também promove uma mudança cultural que pode desencorajar a violência de gênero.
A inclusão de mais vozes na política leva a uma maior diversidade de perspectivas e a políticas mais abrangentes e representativas.
Em resumo, a violência política de gênero é um obstáculo sério para a igualdade e a democracia. Enfrentá-la é essencial para garantir que todos, independentemente do gênero, possam participar plenamente e em segurança no processo político. Somente através de esforços coletivos e determinados poderemos criar um ambiente político mais inclusivo e justo para todos.
*Esta reportagem foi construída com assistência de instrumentos de IA.
Confira a entrevista da íntegra:
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