O deputado federal Marcelo Ramos pode perder o posto de vice-presidente da Câmara dos Deputados se decidir sair do Partido Liberal sem um acordo com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Os dois devem se encontrar para negociar uma saída amigável de Marcelo do partido até a próxima quarta-feira (8).
A possibilidade de perder a vice-presidência da Câmara existe porque o posto pertence não ao deputado, mas sim ao bloco de partidos integrado por onze partidos que garantiram a eleição do presidente, o deputado Arthur Lira (PP/AL). Neste bloco estão, além do PL, o PSL, PP, PSD, PL, Republicanos, Podemos, PTB, Patriota, PSC, Pros e Avante.
Pelas regras da Câmara, se Marcelo deixar o PL e se filiar a um destes partidos que formam o bloco, ele não perderá a vice-presidência. No entanto, se optar por se filiar a partidos como o PSB e o PDT que já o sondaram, o deputado amazonense certamente seria tirado da vice-presidência, que seria transferida a um deputado integrante do bloco pró-Arthur Lira.
Neste jogo de xadrez, Marcelo Ramos tem agido com muita cautela e marcou para o início desta semana uma conversa com Valdemar para negociar uma saída amigável do PL, o que não implicaria na perda do segundo cargo de maior relevância da Casa.
Como vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos preside a maior parte das sessões de votações e dirige os encaminhamentos das matérias. O posto também automaticamente o coloca como vice-presidente do Congresso Nacional, logo atrás do senador Rodrigo Pacheco (PSD/MG). Como Pacheco tende a atuar nas questões administrativas e de bastidores, nas sessões conjuntas do Senado e da Câmara quem preside os trabalhos é exatamente Marcelo Ramos. “É algo que não parece ter problema, mas que vou tratar conversando com o PL, se precisar sair”, limita-se a dizer o deputado.
A intenção de deixar o partido ocorre no contexto da filiação do presidente Jair Bolsonaro e do grupo bolsonarista do Amazonas ao PL, na semana passada. “Há um claro incomodo de minha parte em ter de dividir o mesmo partido com este grupo, que é francamente hostil e agressivo”, diz Marcelo Ramos sobre o ex-superintendente da Suframa Alfredo Menezes e o grupo dele.
Texto: Gerson Severo Dantas
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