O estudo Mapa da Desigualdade Entre as Capitais Brasileiras, divulgado nesta terça-feira (25/3) pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), coloca Manaus como a 23ª capital brasileira mais desigual do Pais. O estudo analisa 40 indicadores sociais como moradia, salário, saúde, saneamento e segurança.
Cada indicador dá direito a uma pontuação e no geral a capital amazonense alcançou 417 pontos, superior apenas a pontuação de Belém (PA), com 393 pontos; Recife (PE), com 392; e Porto Velho (RO), a capital mais desigual do Pais e que obteve somente 373 pontos.
Com Brasília fora do Estudo, coube a Curitiba (PR) o posto de capital brasileira menos desigual, com 677 pontos. Em segundo lugar veio Florianópolis (SC), com 672 pontos.
A regiões Norte e Nordeste concentram as piores capitais no quesito desigualdade social, mas em uma delas chama atenção um cenário diferente. Natal (RN), que alcançou 516 pontos. e Boa Vista (RR), com 498 pontos, são as capitais dessas regiões melhor posicionadas no ranking.
Conforme os autores do estudo, as desigualdades no desenvolvimento das regiões brasileiras afetam as desigualdades sociais, uma vez que as capitais do Sul e Sudeste são muito mais estruturadas que as capitais do Norte e do Nordeste.
Enquanto as piores capitais sofrem com pobreza, desemprego e violência, as melhores capitais (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) lideram a maioria dos critérios analisados no Mapa da Desigualdade, como por exemplo população abaixo da linha da pobreza, com Florianópolis tendo apenas 1,1% de sua população nesta condição, seguida por Curitiba com 2,2% e Cuiabá (MT) 2,7%.
Na outra ponta deste critério estão Recife, Rio Branco (AC) e Salvador (BA), todas com mais de 10% da população vivendo abaixo da linha de pobreza.
Múltiplos fatores expõem a desigualdade de Manaus
Dois índices jogam a pontuação de Manaus para baixo e são bem conhecidos dos que vivem na capital amazonense: desocupação (2023) e homicídios por 100 mil habitantes (2021).
No entanto, múltiplos fatores favorecem essa desigualdade, cuja responsabilidade é coletiva. Não apenas das instituições governamentais, mas do modelo econômico altamente concentrado, da pouca atuação da classe política e da própria sociedade, que cada vez menos participa das discussões e propostas para a redução desses índices.
No critério de desocupação, como costuma mostrar o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Manaus é a terceira pior capital do País, com um índice de pessoas desocupadas de 12,8%. Para se ter ideia da distância, Campo Grande (MS) tem apenas 3,4%.
Já no critério de número de homicídios por 100 mil habitantes, a capital amazonense é também a terceira pior do País, com 55,81 mortes/100mil. A melhor capital neste quesito é São Paulo (SP), com míseras 2,03 mortes/100 mil.
A violência contra jovens também empurra Manaus para os últimos lugares no ranking das desigualdades. No critério Homicídios de jovens (14 a 29 anos) a cada 100 mil habitantes, a capital amazonense registrou em 2021 234,91 mortes (violentas)/100 mil, o terceiro pior índice entre as capitais e bem longe da melhor avaliada neste critério, novamente São Paulo, com apenas 7,76 mortes/100 mil habitantes.
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