Segundo pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Economia (NEPE), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), um trabalhador que recebe um salário mínimo de R$1.221, já com os descontos da previdência social, tem cerca de 47,29% da sua renda comprometida para a cesta básica.
Entretanto, esse percentual pode ser ainda maior dependendo da zona geográfica da cidade, já que em algumas o preço médio da cesta básica foi maior que em outras. Na zona Oeste, por exemplo, onde o preço médio da cesta foi maior, a participação sobre a renda mínima foi de 53,3%.
De acordo com a pesquisa, o valor médio da cesta básica em Manaus, no mês de setembro, foi de R$577,39. Houve um recuo de 4,85%, em relação ao mês de agosto.
| Preço médio da cesta básica por zona | Renda comprometida | |
| Zona Norte | R$ 613,89 | 50,28% |
| Zona Sul | R$602,22 | 49,32% |
| Zona Leste | R$ 599,30 | 49,08% |
| Zona Oeste | R$ 650,78 | 53,3% |
| Zona Centro-Sul | R$ 595,52 | 48,77% |
| Zona Centro-Oeste | R$ 563,66 | 46,16% |
Em relação a variação dos preços por região, a economista Michele Silva explica que as regiões classificadas como mais “ricas” tendem a terem preços maiores. “Em algumas regiões onde a renda é alta o preço dos produtos continuam altos pois acompanham a renda. Já em regiões mais vulneráveis os preços variam mais. A renda da população de cada região influencia no preço de venda do produto”.
Carne como produto mais caro
A pesquisa leva em conta a metodologia adotada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que analisa 12 itens da cesta básica como: carne, leite, feijão, arroz, farinha d’água, tomate, pão francês, café em pó, banana, açúcar, óleo e manteiga.
A carne foi o produto com maior participação no valor da cesta básica manauara, com 25,01%; seguida pelo tomate com 20,94%; banana com 12,67%; pão francês com 11,69% e leite com 6,51%. Logo atrás vem o feijão com 5,69%, manteiga com 5,06%, farinha com 4,26% e arroz com 3,02%.
Já o açúcar, óleo e o café em pó foram os únicos produtos que tiveram índice abaixo de 2%, com cerca de 1,94%, 1,83% e 1,39%, respectivamente.
A dona de casa Cleide Oliveira sentiu o preço mais “salgado” nas verduras e na carne, principalmente, mas disse que sentiu um leve alívio nos preços em setembro.
“Agosto e setembro deu para fazer um bom supermercado, mas agora em outubro senti um aumento, principalmente nas verduras e na carne. Em casa estamos comendo mais frango, por isso. Em relação ao arroz, feijão e farinha, pelo menos onde eu compro, o preço continua o mesmo”, disse.
Já a dona de casa Ellen Cristina, que também é dona de um bar, relatou que não sentiu melhora nos preços e que as verduras foram as que mais subiram de valor. “Não percebi baixa de preço, pelo contrário tudo tem aumentado muito, o arroz, frango, verduras e legumes foram os que mais sentir esse aumento, e desse jeito fica bastante complicado pro nosso bolso”.
A estudante Irma Pinheiro contou que sentiu uma queda nos preços de alguns produtos congelados.
“Percebi uma queda em alguns alimentos, principalmente na parte de congelados, como o frango, por exemplo. Apesar de ainda estar com um preço alto, ainda foi possível fazer uma compra que durasse mais de duas semanas. O que preocupou foi a compra de peixe que por conta da seca acabou fazendo com que o valor aumentasse”, contou.
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