quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Lula e o fim do “animal político”: carisma popular e habilidade em baixa

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(Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil)

Lula da Silva, outrora celebrado como o “animal político” por sua habilidade instintiva e carisma popular, parece hoje distante da imagem que o consagrou no imaginário nacional.

Caso tivesse encerrado sua trajetória em 2010, o mito do líder intuitivo e inigualável talvez permanecesse intacto. Mas o retorno ao poder em 2023 revelou um presidente hesitante, contraditório e cada vez mais refém do marketing.

Após três derrotas nas urnas, Lula só chegou ao Planalto em 2002 após se render à moderação e ao discurso do “Lulinha paz e amor”, embalado pela conjuntura de desgaste do PSDB.

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Duas décadas depois, seu discurso de torneiro mecânico que ascendeu à Presidência soa envelhecido — especialmente quando proferido por um chefe de Estado de gravata italiana e sapatos de grife.

Desde que voltou ao governo, Lula age como se ainda fosse oposição. Acuado por pesquisas desfavoráveis, antecipou a campanha de 2026 e transformou o Palácio do Planalto em um comitê eleitoral permanente.

Durante um evento no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (15/10), o presidente fez duras críticas à atual formação do Congresso Nacional, classificando-a como a de “mais baixo nível” já vista.

Ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o petista afirmou que a composição do parlamento reflete as escolhas feitas pela população nas urnas e pediu mais responsabilidade dos eleitores nas eleições do próximo ano.

“Hugo é o presidente do Congresso. Ele sabe que essa Casa nunca teve uma qualidade tão baixa quanto agora. Essa extrema direita que se elegeu na última eleição representa o que há de pior”, declarou Lula, em discurso que misturou tom de alerta e crítica política.

Sua principal meta, segundo críticos, tem sido ampliar a arrecadação para sustentar a narrativa de que “cuida dos pobres”, enquanto a economia desacelera.

Sem o encanto de outrora, o presidente tenta se equilibrar entre o Congresso fragmentado e a dependência de emendas parlamentares, enquanto suas derrotas legislativas — como a da MP 1303 — expõem a fragilidade de sua liderança.

Guiado pelo marqueteiro Sidônio Palmeira, Lula aposta em estratégias publicitárias para recuperar apoio, mas carece de um projeto nacional consistente.

Até o discurso da defesa da democracia, que o impulsionou contra Jair Bolsonaro, perdeu força diante de suas ambiguidades diplomáticas.

O ex-operário que virou presidente volta a parecer um político comum — e o país, mais uma vez, paga o preço por um líder que já não sabe para onde conduzir o barco.

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