Ao assumir a presidência pro tempore do Mercosul nesta quinta-feira (03/07), durante a 66ª Cúpula de Chefes de Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende conduzir uma gestão voltada ao fortalecimento da integração regional, com foco em acordos comerciais, transição energética, segurança e direitos sociais. A presidência brasileira do bloco se estende até o fim de 2025.
“Vou me dedicar para que a gente possa avançar o máximo que pudermos, para que o Mercosul se transforme num grande bloco econômico, político, cultural, científico e tecnológico”, declarou Lula, destacando que dará continuidade aos compromissos adotados pelos países durante a cúpula em Buenos Aires.
Entre as metas apresentadas, está a conclusão das negociações com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. “Estou confiante de que, até o fim deste ano, assinaremos os acordos com a União Europeia e com a EFTA, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo”, afirmou o presidente.
Lula reconheceu os obstáculos enfrentados pelo bloco, sobretudo a lentidão nos processos decisórios, e se comprometeu a atuar para acelerar a implementação das resoluções. “Ouvi com atenção as angústias que cada presidente colocou nas suas falas: a falta de rapidez nas decisões, a demora para executar o que muitas vezes já foi acordado. Quero me comprometer com cada um de vocês. Prometo que vou fazer a minha parte”, disse.
Integração regional e prioridades brasileiras
Criado em 1991, o Mercosul reúne atualmente Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, e é um dos maiores mecanismos de integração econômica e política do mundo. O bloco garante livre circulação de pessoas, alinhamento de normas técnicas e reconhecimento de direitos sociais, como aposentadoria entre países-membros.
Durante o discurso, Lula detalhou os cinco eixos que nortearão a presidência brasileira do Mercosul:
- Reforço ao comércio intra e extrabloco;
- Transição energética e enfrentamento da mudança climática;
- Desenvolvimento tecnológico regional;
- Cooperação para o combate ao crime organizado;
- Valorização dos direitos dos cidadãos dos países do Mercosul.
Para o presidente, o bloco tem potencial para ocupar papel relevante na ordem global. “Temos tudo: um povo generoso, conhecimento científico e tecnológico, experiência política. Cabe somente a nós decidir se seremos grandes ou pequenos, porque temos tudo para desempenhar um grande papel na construção de um mundo mais justo e sustentável”, afirmou.
Balança comercial
Dados do governo federal mostram que, de janeiro a maio de 2025, o intercâmbio comercial entre os países do Mercosul totalizou US$ 17,5 bilhões. O Brasil exportou US$ 10,2 bilhões e importou US$ 7,2 bilhões, gerando superávit de US$ 3 bilhões. As exportações brasileiras incluem principalmente veículos, bens industrializados e minérios, enquanto as importações se concentram em trigo, veículos de carga e energia elétrica.
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