quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Já ouviu falar em boreout? Entenda a síndrome do tédio extremo que adoece trabalhadores

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Tédio extremo e tarefas sem propósito podem indicar a síndrome de boreout

A síndrome de boreout, descrita pela primeira vez em 2007 pelos consultores suíços Peter Werder e Philippe Rothlin, tem ganhado espaço nos debates sobre saúde mental no ambiente de trabalho.

Ao contrário do burnout, causado por excesso de demandas e esgotamento, o boreout nasce da ausência de desafios, de reconhecimento e de propósito.

Trata-se de uma condição comum entre profissionais que não se sentem úteis ou valorizados. A rotina é marcada por tarefas repetitivas, pouco estimulantes, e pela falta de oportunidades reais de crescimento.

O resultado é um sofrimento emocional silencioso, que pode comprometer tanto o bem-estar individual quanto o desempenho das equipes.

De acordo com a pesquisa Gallup 2024, 7 em cada 10 brasileiros estão desengajados no trabalho. Além disso, 46% relatam estresse diário e 25% dizem sentir tristeza constante no ambiente profissional.

O cenário evidencia que o problema vai além de casos isolados: é estrutural e requer atenção das organizações.

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Sintomas são sutis

Embora frequentemente confundido com desinteresse ou “preguiça”, o boreout se manifesta de formas mais profundas: cansaço constante mesmo sem excesso de trabalho, apatia, perda de entusiasmo, procrastinação, isolamento e baixa produtividade.

Em muitos casos, o profissional se vê preso a tarefas automáticas, com tempo ocioso e sem conexão com o propósito do cargo.

Entre os comportamentos comuns estão o uso excessivo de redes sociais, alimentação por ansiedade e busca por distrações para “passar o tempo”.

Tudo isso ocorre, muitas vezes, sem que o próprio trabalhador compreenda a origem do desconforto.

Quando o tédio ultrapassa o limite

Sentir tédio eventualmente é natural e pode, inclusive, ser um motor para transformações. No entanto, quando esse estado se torna crônico, afeta diretamente a autoestima, a motivação e a saúde emocional.

Quem sente que está preso a funções sem sentido ou evita assumir novas tarefas por não enxergar utilidade nelas pode estar vivendo um quadro de boreout.

Entre os fatores que favorecem o surgimento da síndrome estão:

  • Tarefas repetitivas e abaixo do potencial
  • Ambiente sem estímulo ou reconhecimento
  • Falta de perspectiva de crescimento
  • Liderança despreparada
  • Salários defasados e ausência de propósito
  • Desalinhamento entre expectativa e realidade da função

Essas condições levam ao esvaziamento do engajamento e à sensação de inutilidade, criando um ciclo de frustração contínuo.

Ignorar o boreout no ambiente de trabalho é abrir espaço para a instalação de uma cultura de apatia. Os impactos incluem:

  • Redução da produtividade
  • Comprometimento do clima organizacional
  • Aumento da rotatividade
  • Danos à imagem da empresa diante de talentos do mercado

A síndrome também afeta a capacidade criativa e a iniciativa dos colaboradores, minando resultados a médio e longo prazo.

O papel do RH no combate ao boreout

Uma pesquisa da Opinion Box, realizada em 2022, revelou que 70% dos brasileiros acreditam que as empresas não adotam medidas eficazes para cuidar da saúde mental dos funcionários.

Além disso, 61% afirmaram que já tiveram a saúde mental prejudicada por estresse relacionado ao trabalho.

Para enfrentar a síndrome de boreout, o RH pode:

  • Monitorar o engajamento com pesquisas internas
  • Oferecer oportunidades de desenvolvimento e desafios reais
  • Ajustar tarefas para evitar repetição e falta de propósito
  • Estimular feedbacks regulares e reconhecimento
  • Criar canais de escuta e apoio emocional
  • Promover ações de bem-estar e saúde mental

Essas práticas ajudam a reverter a apatia no ambiente e a valorizar os profissionais.

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