O investimento público em ciência e tecnologia no Brasil cresceu 30% entre 2021 e 2024, segundo levantamento divulgado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). No mesmo período, os recursos destinados à pesquisa e desenvolvimento (P&D) aumentaram 35%, indicando retomada do financiamento público após anos de retração.
Os dados integram o levantamento “Dispêndio Nacional em C&T e P&D — Setores Governamental e Empresarial 2014-2024”, apresentado pelo MCTI no Rio de Janeiro. Segundo o ministério, a recomposição do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) aparece como um dos principais fatores para o crescimento dos investimentos.
A recuperação do financiamento é relevante para universidades, institutos de pesquisa, startups, laboratórios públicos, bolsas científicas, inovação industrial e projetos estratégicos em áreas como saúde, clima, transição energética, inteligência artificial e bioeconomia. No caso da Amazônia, ciência e tecnologia são fundamentais para transformar biodiversidade em conhecimento, renda sustentável e soberania ambiental.
O aumento dos recursos, porém, precisa ser analisado com cautela. O país passou por um período prolongado de cortes, contingenciamentos e paralisação de projetos. Parte do crescimento recente recompõe perdas anteriores, mas ainda há desafios em infraestrutura laboratorial, retenção de pesquisadores, valorização de bolsas e conexão entre pesquisa pública e desenvolvimento produtivo.
A crítica necessária é que ciência não pode depender do humor fiscal de cada governo. Sem financiamento previsível, laboratórios param, jovens pesquisadores deixam o país e soluções brasileiras são substituídas por importações caras. O avanço de 30% é positivo, mas o Brasil precisa transformar recomposição em política permanente de Estado.