segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Instituto Ethos lança guia para empresas protegerem defensores ambientais na Amazônia

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O Instituto Ethos lança, durante a Semana do Clima da Amazônia, em Belém, o “Guia para Empresas: Proteção de Defensores de Direitos Humanos e Ambientais”, publicação inédita voltada a orientar o setor privado sobre como incorporar a proteção de lideranças comunitárias, ambientais e territoriais às suas estratégias de governança, gestão de riscos e responsabilidade empresarial.

O lançamento ocorre dentro da programação do Festival +DH, iniciativa do Instituto Ethos dedicada ao debate sobre direitos humanos, integridade socioambiental e responsabilidade empresarial. Esta é a primeira vez que o festival é levado à Região Norte. A programação integra a Semana do Clima da Amazônia, realizada entre os dias 29 de junho e 2 de julho, na capital paraense.

A publicação tem apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e chega em um contexto de aumento da violência contra pessoas e organizações que atuam na defesa de direitos humanos e ambientais no Brasil. Segundo dados reunidos pelo guia, entre 2023 e 2024 foram registrados 486 casos de violência, incluindo 55 assassinatos, 96 atentados e 175 ameaças contra defensores e entidades ligadas à proteção de direitos e do meio ambiente.

O documento parte de uma premissa direta: proteger defensores de direitos humanos e ambientais não é responsabilidade exclusiva do Estado. Para o Instituto Ethos, empresas que atuam em territórios marcados por conflitos fundiários, pressão ambiental, grandes obras, cadeias produtivas complexas ou presença de comunidades tradicionais também precisam assumir responsabilidades preventivas.

O guia apresenta dez recomendações práticas para empresas. Entre elas estão a realização de diagnósticos territoriais, adoção da devida diligência em direitos humanos, criação de canais seguros de denúncia, fortalecimento do diálogo com comunidades e inclusão de critérios de direitos humanos na gestão de fornecedores.

Para o diretor-presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, empresas que conhecem os territórios onde atuam e incorporam direitos humanos às decisões reduzem riscos e fortalecem a legitimidade de suas operações.

“Empresas que conhecem os territórios onde atuam, dialogam com as comunidades e incorporam os direitos humanos às suas decisões fortalecem sua legitimidade e reduzem riscos para todos os envolvidos. A proteção de defensores é parte da construção de um ambiente de negócios mais íntegro, sustentável e democrático”, afirmou Magri.

A discussão é especialmente relevante na Amazônia, região onde disputas por terra, exploração ilegal de recursos naturais, pressão sobre comunidades tradicionais e conflitos socioambientais expõem lideranças locais a ameaças constantes. Ao levar o Festival +DH para Belém, o Instituto Ethos coloca o setor privado diante de uma cobrança objetiva: não basta falar em sustentabilidade; é preciso demonstrar como empresas evitam impactos negativos e protegem quem defende os territórios.

A programação do Festival +DH ocorre no dia 1º de julho de 2026, das 9h às 18h, no Auditório do Sesc Ver-o-Peso, em Belém. Entre os destaques estão a abertura institucional sobre empresas e direitos humanos, o lançamento do guia, debates sobre participação social, transparência, fortalecimento dos territórios e uma mesa sobre grandes eventos, sustentabilidade e legados positivos.

A edição de 2026 é realizada pelo Instituto Ethos, em parceria institucional com o Centro de Excelência Jean Monnet em Empresas e Direitos Humanos da FECAP. O evento conta ainda com apoio da AFD, do Mercado Net Zero, do Sesc Fecomércio Senac, além de patrocínio da Hydro e do SEST SENAT.

Mais do que uma agenda de reputação corporativa, o guia recoloca a proteção de defensores como tema de governança empresarial. Em um país onde conflitos socioambientais continuam gerando mortes, ameaças e intimidações, empresas que ignoram o risco territorial deixam de ser apenas omissas: passam a integrar parte do problema.

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