A inflação de serviços no Brasil, que vinha registrando desaceleração nos últimos meses, teve um repique em dezembro que superou as expectativas dos economistas. O indicador avançou 0,60% no mês, levando a alta acumulada em 12 meses para 6,06%.
O movimento já era esperado, dada a tradicional demanda por serviços alimentada pelas festas e férias de fim de ano. Ainda assim, a intensidade com que o reajuste se deu assustou e recolocou o tema de volta no radar dos economistas.
O repique foi concentrado em preços que normalmente sofrem reajuste no fim do ano, como alimentação fora do domicílio, conserto de automóveis e serviços pessoais (manicure e cabeleireiro, por exemplo).
No entanto, a preocupação dos especialistas é que o movimento possa indicar uma retomada da inflação de serviços em 2024.
Pressão salarial no índice de inflação
Um dos principais fatores que podem contribuir para essa retomada é a pressão salarial. A massa salarial real, que mede o poder de compra dos trabalhadores, cresceu 3,1% no ano passado, o maior avanço desde 2011.
Esse aumento pode levar a um repasse maior dos reajustes salariais para os preços dos serviços, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como os de transporte, saúde e educação.
Perda de fôlego da criação de vagas
Outro fator que pode limitar a desaceleração da inflação de serviços é a perda de fôlego da criação de vagas. O número de trabalhadores formais no Brasil cresceu apenas 0,3% no ano passado, o menor avanço desde 2015.
Com menos vagas disponíveis, os trabalhadores podem ter mais poder de barganha para negociar aumentos salariais, o que também pode pressionar os preços dos serviços.
Cenário da inflação para 2024
Diante desses fatores, os economistas estão divididos sobre o cenário para a inflação de serviços em 2024.
A maioria das casas de análise acredita que o indicador deve continuar desacelerando, mas a velocidade dessa descompressão pode ser mais lenta do que o esperado.
O BTG Pactual, por exemplo, projeta uma inflação de serviços de 5% em 2024, acima da meta de 3,5% do Banco Central.
Já a Novus, que é mais otimista, estima uma inflação de serviços de 4% no ano que vem.