Lei que entrou em vigor proibindo o fornecimento gratuito de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais, na capital, começa a afetar o segmento industrial. Fabricantes preveem demissão de 30% do quadro laboral empregado atualmente pelas 12 empresas do setor. Os desligamentos devem acontecer a partir deste mês de outubro, segundo o Sindicato da Indústria de Material Plástico de Manaus (Simplast).
Segundo o diretor do Simplast, Paulo Abreu, a legislação municipal resultará em queda imediata de 30% na produção das sacolas plásticas, percentual que deverá crescer ainda mais ao considerar que a proposta tem o intuito de substituir o produto pelas sacolas retornáveis. Ele afirma que empresários do setor têm informado ao sindicato sobre a decisão de reduzir o quadro funcional em decorrência da redução na demanda.
“As empresas já estão informando ao sindicato que a partir deste mês já deverão demitir cerca de 30% do quadro de pessoal. O setor conta com 12 fabricantes de embalagens e emprega, atualmente, 700 pessoas. É o resultado de uma legislação imposta sem ouvir as indústrias e os demais segmentos envolvidos”, reclamou o empresário.
A Lei n. 485 de 7 de maio de 2021 entrou em vigor na sexta-feira (1º). A legislação municipal proíbe a distribuição gratuita de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais em Manaus, sob a justificativa de estimular o uso de sacolas reutilizáveis que não prejudiquem o meio ambiente.
Abreu também informou que o Simplast trabalha em levantamento de dados e na elaboração de documento para envio à Câmara Municipal de Manaus (CMM) na tentativa de discutir o assunto e chegar a um consenso entre os setores envolvidos.
O diretor afirma que o problema consiste em educação, que segundo ele, deve ser planejado com ações executadas pela prefeitura de Manaus.
“Vamos à CMM. Em nenhum momento as indústrias foram procuradas para serem ouvidas quando caberia realização de consulta pública sobre o tema. O plástico não caminha sozinho para o igarapé ou outro destino. Tudo se resume em educação. A prefeitura tem que trabalhar ações educativas e disponibilizar recipientes para coleta seletiva pela cidade. Essa legislação só prejudica a população mais pobre que terá que pagar mais caro por embalagens”, reclamou.
Desde o sábado (2), os estabelecimentos comerciais passaram a cobrar pela unidade da sacola plástica. Conforme a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM), cada empresa tem autonomia para definir o valor a ser cobrado pela embalagem, caso opte em manter a disponibilização no estabelecimento.
A reportagem verificou variação que vai de R$0,5 a R$0,15 nos preços cobrados pelas sacolas em locais variados.
Texto: Priscila Caldas
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