quarta-feira, 23 de setembro de 2026
AÇUCAR E ALCOOL

'Imposto do pecado' inviabilizará negócios de bares e restaurantes, diz associação

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Imagem de latinhas de refrigerantes
Taxação extra de bebidas açucaradas pode inviabilizar setor de bares, restaurantes e similares. (Arquivo)

A inclusão das bebidas açucaradas e as alcóolicas no Imposto Seletivo, o “imposto do pecado”, que deverá ser criado na Reforma Tributária ameaça a sobrevivência de bares e restaurantes. A avaliação, feita nesta quinta-feira (5), é da Associação de Bares, Restaurantes e Similares do Brasil (Abrasel).

O imposto seletivo sobre bebidas açucaradas pode ser um golpe duro para o setor. Nossos estabelecimentos já estão lutando para manter os preços acessíveis aos consumidores e aumentar essa carga tributária só irá agravar a situação”, afirma o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, considera que a medida causará impactos graves para um setor já fragilizado.

Conforma a última pesquisa da Abrasel, realizada com 2.416 empreendedores, mais de dois terços (64%) dos negócios deste setor não obteve lucro em maio: 25% dos estabelecimentos registraram prejuízo, 39% ficaram em equilíbrio. Apenas 36% conseguiram lucrar.

Os estabelecimentos enfrentam um cenário desafiador, com margens de lucro cada vez mais apertadas. Dados de inflação mostram que os principais insumos, alimentos e bebidas subiram 4,2% neste ano, enquanto a inflação no setor foi de apenas 1,99%. De acordo com o estudo realizado pela Abrasel, 39% dos estabelecimentos não estão conseguindo reajustar os preços conforme a inflação.

Na avaliação da Abrasel, esse resultado negativo vem em um momento crítico, em que se discute a regulamentação da reforma tributária, incluindo a adoção de alíquotas mais altas para produtos muito consumidos em bares e restaurantes, como as bebidas adoçadas.

Essa taxação sobre as bebidas açucaradas é completamente incompreensível. O açúcar, quando vendido como parte da cesta básica, é considerado essencial e, por isso, não é taxado. Contudo, quando utilizado em bebidas, passa a ser tratado como um vilão“, completou Solmucci.

Entre os desafios econômicos enfrentados pelo setor, destaca-se também o alto número de empresas endividadas. De acordo com a pesquisa da Abrasel, 39% dos negócios têm dívidas em atraso. Desses, 69% devem impostos federais, como parcelas do Simples e imposto de renda, 48% devem impostos estaduais, 39% têm parcelas de empréstimos em atraso e 29% devem encargos trabalhistas.

Paulo Solmucci enfatizou a gravidade da situação. “A inadimplência não afeta apenas o nosso setor, mas também impacta negativamente toda a economia do país. Precisamos de medidas que incentivem a recuperação e não que penalizem ainda mais quem já está fragilizado”, conclui.

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