As duas primeiras pesquisas do Instituto de Pesquisa do Norte (Ipen) para prefeito de Manaus divulgadas este ano (AM-01476/2024 e AM-06369/2024) estão sendo questionadas na Justiça Eleitoral pela Comissão Executiva Municipal do Partido Liberal (PL), que identificou irregularidades, como falhas metodológicas e dados questionáveis nos levantamentos.
A comissão pede a intervenção do Poder Judiciário para suspensão das duas pesquisas, além de aplicação de multa, por considerá-las “com resultados distorcidos da realidade local e contaminadas por vícios insanáveis.”
Sobre a primeira pesquisa, o partido identificou a utilização de uma base de dados desatualizada com uma defasagem de 14 anos; vieses de metodologia, como falhas no plano amostral; dados de ponderação inadequados; e relatório do resultado da pesquisa com dados incompletos, contrariando a resolução eleitoral.
A empresa, que financiou a pesquisa com recursos próprios, também não apresentou o Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE), o que foi verificado pelo RealTime1. Até a manhã desta quinta-feira (04/07), a empresa ainda não havia disponibilizado o documento no PesqEle, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de registro de pesquisas, acessível por qualquer pessoa.
A Resolução TSE 23.600/2019, ao ser alterada pela Resolução TSE n. 23.727/2024, passou a exigir o DRE do ano anterior ao da realização das eleições, quando a pesquisa for autofinanciada.
Essa exigência foi reivindicada pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), com o objetivo de coibir o crescente volume de pesquisas financiadas com recursos próprios, tornando pública a capacidade econômica dessas consultorias e institutos.
Sobre a primeira pesquisa Ipen
De acordo com a ação, “a análise comparativa detalhada, aliada à aplicação de ponderação, revelou diversas discrepâncias entre os resultados do banco de dados e os dados apresentados no relatório entregue.”
O partido ressalta que não consta na base de dados quem verificou e quem foi verificado: “A checagem das citações coletadas em uma pesquisa eleitoral é essencial para a eliminação de respostas contraditórias e, principalmente, para a veracidade dos números apresentados à população”, reforça a ação.
Contradições nos dados coletados da pesquisa Ipen
Na ação, o partido apresenta contradições nas respostas dos entrevistados: “O participante fornece respostas diferentes para a mesma pergunta em diferentes momentos da pesquisa, ou suas respostas contradizem outras informações coletadas. Erros na transcrição das respostas, problemas na codificação dos dados ou falhas na comunicação com o participante podem levar à contradição nos dados coletados”.
Discrepâncias nos perfis sociodemográficos
Ainda na ação de impugnação da primeira pesquisa do Ipen, o partido argumenta que bairros diferentes podem ter perfis demográficos distintos, como renda, educação, idade e composição étnica. A coleta de dados por bairros garante que todos esses segmentos sejam representados na pesquisa.
O partido realizou uma minuciosa conferência dos bairros das zonas mapeadas na pesquisa com os dados oficiais do IBGE/2022. A análise comparativa revelou discrepâncias significativas nos perfis sociodemográficos dos bairros das zonas mapeadas.
Sobre a segunda pesquisa Ipen
A segunda pesquisa Ipen, registrada sob o número AM-06369/2024 e divulgada no dia 14/05/2024, segundo a executiva do partido, também apresenta falhas semelhantes às da primeira pesquisa.
De acordo com a ação, a pesquisa não indicou os bairros em que foi realizada e nem o quantitativo de pessoas entrevistadas em cada uma dessas localidades. “Desse modo, torna-se impossível aferir se houve adequada distribuição das entrevistas de forma proporcional à população de cada uma de suas regiões.”
Ao comparar o banco de dados fornecido pelo Ipen e os dados do IBGE/2022, “verificou-se a existência de inconsistências relevantes entre os dados”, ressalta a ação movida contra o Ipen.
O partido contesta o fato de não ter sido apresentado o Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE). No entanto, neste caso, a empresa não precisa apresentar o documento, já que ela não foi paga pela empresa de pesquisa, e sim por terceiros: pela empresa P E J Comunicação e Marketing.
Confira as ações movidas contra as pesquisas Ipen:
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