O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou uma nova linha de R$ 10 bilhões em crédito para modernização de máquinas e implementos agrícolas. O anúncio foi feito no domingo, 26 de abril, durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Os recursos integram uma nova modalidade do programa MOVE Brasil voltada ao setor agropecuário.
Segundo Alckmin, o financiamento poderá ser usado para tratores, implementos, colheitadeiras e outros equipamentos agrícolas. A operação deve ocorrer pela Finep, diretamente ou por parceiros como cooperativas, bancos privados e Banco do Brasil. O vice-presidente afirmou que os recursos devem estar disponíveis em cerca de três semanas, com juros mais baixos para estimular renovação e modernização da frota agrícola.
A medida atende a uma demanda antiga do setor produtivo. Máquinas modernas podem ampliar produtividade, reduzir perdas, melhorar eficiência no uso de insumos e incorporar tecnologias de agricultura de precisão. Em um mercado global mais competitivo, o acesso a equipamentos atualizados pode fazer diferença na produção, na logística e no custo final dos alimentos.
O governo também prepara um programa de renegociação de dívidas rurais. Alckmin afirmou que a medida deverá contemplar produtores inadimplentes e também adimplentes, com o objetivo de ampliar a capacidade de investimento e competitividade do setor.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, avaliou que a iniciativa contribui para mecanização e tecnificação da agricultura familiar. Já o ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o setor deve ser impulsionado pela entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, prevista para 1º de maio, com redução tarifária para produtos agropecuários.
O anúncio, no entanto, exigirá atenção à execução. O volume de crédito é expressivo, mas a efetividade dependerá de juros, prazos, critérios de acesso e capilaridade. Sem desenho adequado, linhas desse tipo tendem a beneficiar produtores com melhor estrutura financeira, deixando pequenos e médios agricultores com dificuldade de acessar o programa.
O desafio será transformar a política em modernização real no campo, sem ampliar desigualdades produtivas. Para isso, cooperativas, bancos públicos, assistência técnica e organizações da agricultura familiar terão papel decisivo na intermediação dos recursos.