Nos últimos anos, um fenômeno tem chamado a atenção dos especialistas e da sociedade em geral: a chamada “Geração canguru”. Esse termo é utilizado para descrever jovens adultos que prolongam sua permanência na casa dos pais, mesmo quando já alcançaram certa independência financeira.
De acordo com a psicóloga Nazaré Mussa, a geração canguru é composta por jovens adultos que já adquiriram certa independência financeira.
“Geralmente, quando uma pessoa atinge a independência financeira, se está a falar de mais ou menos uma idade de 23 ou 25 anos, um pouco mais, um pouco menos, onde já concluiu a faculdade ou está quase concluindo e, dependendo do curso, já está ativo na vida do trabalho”, disse ao RealTime1.
Mussa listou as principais razões que podem explicar esse comportamento, entre eles estão: o prolongamento dos estudos, o desejo de obter aprovação em concursos ou ingressar em cursos altamente exigentes, como Medicina.
Além disso, a comodidade e facilidades proporcionadas pela permanência no lar paterno, a zona de conforto e a falta de responsabilidade financeira também podem influenciar nessa decisão.
Para a psicóloga, que lida com jovens adultos nessa situação, “é necessário investigar as razões lógicas e emocionais que estão por trás desse comportamento, como a baixa autoestima e o medo de amadurecer.”
A geração canguru e o amadurecimento
De acordo com Nazaré Mussa, o jovem adulto precisa adquirir independência financeira e emocional, o que requer um processo de autoconhecimento, amadurecimento e enfrentamento.
“É neste processo que a pessoa vai adquirindo autoconfiança para viver sua vida, tendo como apoio a família. Qualquer dependência financeira ou emocional pode travar o amadurecimento e crescimento individual”, disse.
A psicóloga destaca a importância de trabalhar a independência a nível psicológico.
“Quando a pessoa não se conhece, é muito provável que não saberá tomar suas próprias decisões. Ficará na dependência de sempre perguntar o que fazer, poderá desenvolver a insegurança e o medo de enfrentar as dificuldades da vida com clareza e bom senso”, alertou.
Em busca da independência
O RealTime1 entrevistou a arquiteta e ilustradora Priscilla Lima, de 29 anos, que divide domicílio com a família e planeja morar sozinha.
Priscilla disse que a decisão de ainda morar com a família foi “motivada por fatores econômicos e a pandemia apenas agravou essa situação”. A arquiteta reduz gastos, porém afirma que a situação acaba afetando sua saúde mental.
“Estou conseguindo me estabilizar de uma forma mais orgânica, me sustentar com meus gastos pessoais mensais (remédios, higiene, lazer) e gastos da minha cachorrinha (vacinas, veterinário, ração, remédios). Como estou em processo de mudança, não tenho atualmente gastos com essa casa”, contou.
Priscilla está juntando dinheiro, pois se prepara para sair de casa em julho deste ano.
Jovens adultos que saem de casa
O RealTime1 também entrevistou Jéssica Souza, corretora de imóveis que faz parte do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas (CRECI), para saber sobre o perfil das pessoas solteiras que procuram apartamentos em Manaus.
Conforme a corretora, normalmente, a média de idade de pessoas que procuram apartamentos é de 25 anos e, geralmente, são clientes com rendas médias de R$ 3 mil em diante.
“A maioria procuram pelos básicos mesmo, nossos apartamentos são apartir de R$160 mil, alguns buscam por investimento, então quanto mais em conta melhor. Outros já se casar e já buscam por algo melhor apartamentos a partir de R$ 250 mil, esses são os que recebem um pouco melhor, e já tem uma estrutura mais vantajosa, em alguns casos com a ajuda dos pais”, informou.
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