quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Especialista alerta para os riscos do endividamento de jovens

Mais de 200 mil jovens de até 25 anos estavam endividados em abril, no Amazonas, um salto em relação ao ano anterior.
COMPARTILHE
DINHEIRO SERVIDORES
Aumento no percentual de famílias endividadas chegou a 76,4% no mês de fevereiro de 2025.

O Governo Federal começa a operar, em julho, o programa Desenrola, que espera renegociar dívidas de 70 milhões de brasileiros. Uma faixa etária especialmente interessada nessa negociação é a de jovens de até 25 anos, cujo endividamento médio tem crescido no último ano.

De acordo com o Mapa de Inadimplência e Negociações da Serasa, só no Amazonas, em abril, 1.542.025 milhão de pessoas estavam inadimplentes. Desse total, 14,2 % (mais de 200 mil) têm até 25 anos, faixa etária cujo endividamento tem crescido acima da média.

O fenômeno do endividamento de jovens preocupa especialistas, como o professor Augusto Cecílio, que alertou para o consumismo exagerado dessa faixa etária aliado a facilidade de crédito e compras desnecessárias feitas parceladamente.

“É cada vez maior o número de jovens endividados e as razões vão desde a falta de uma educação financeira e orientação dos pais (que muitas vezes sequer tiveram informações sobre o assunto), passando por vivermos num país consumista, além da facilidade do crédito”, afirma o professor

O professor também destaca como elemento que impulsiona esse consumismo a falta de experiência do jovem para saber lidar com o dinheiro e controlar o impulso ao adquirir produtos que não seriam necessários no momento.

Endividamento para mover economia

Para o analista financeiro Igor Queiroz Júnior, um problema que poderá ocorrer com programas de renegociação de dívidas é usar a volta do crédito como motor para aquecer a economia e logo em seguida todos estarem endividados de novo.

“Há propostas do Governo Federal que abrem possibilidades de créditos novos, como a possibilidade do interessado em crédito ofertar como garantia seu plano de aposentadoria ou mesmo seu único imóvel aos bancos”, revela.

Se isso for aprovado, alerta o consultor, a economia será ativada num primeiro momento, exatamente como ocorreu nos primeiros governo Lula, mas a capacidade de endividamento dos jovens, os mais consumistas, e das famílias, não é ilimitada e aí poderemos ter os mesmos problemas vivenciados no segundo governo de Dilma Rousseff.

Planejar para evitar endividamento

Para o educador financeiro Reinaldo Domingues, o principal problema que impulsiona o endividamento de jovens é a falta de capacidade para planejar adequadamente a vida financeira com base no próprio salário.

“Muitos se lançam em longos parcelamentos ou entram em outras linhas de crédito e não se preocupam em construir o futuro, não pensam na estabilidade financeira, numa vida sem atropelos, numa tranquila aposentadoria”, diz Domingues

Para ele, o segredo deste planejamento é saber quanto custa “um sonho”, quanto tempo levará para “pagá-lo” e por último quanto de dinheiro “deve ser reservado todo mês para a realização deste sonho”.

Na cartilha que elaborou para orientar os jovens, Domingues aponta alguns segredos para eles fugirem do endividamento:

  • Diagnosticar anualmente as finanças e distinguir o essencial do superflúo;
  • Sonhar a curto, médio e longo prazo, diferenciando o que é desejo do sonho verdadeiro;
  • Nunca gastar mais do que se ganha;
  • Poupar mensalmente.
COMPARTILHE