O Governo Federal começa a operar, em julho, o programa Desenrola, que espera renegociar dívidas de 70 milhões de brasileiros. Uma faixa etária especialmente interessada nessa negociação é a de jovens de até 25 anos, cujo endividamento médio tem crescido no último ano.
De acordo com o Mapa de Inadimplência e Negociações da Serasa, só no Amazonas, em abril, 1.542.025 milhão de pessoas estavam inadimplentes. Desse total, 14,2 % (mais de 200 mil) têm até 25 anos, faixa etária cujo endividamento tem crescido acima da média.
O fenômeno do endividamento de jovens preocupa especialistas, como o professor Augusto Cecílio, que alertou para o consumismo exagerado dessa faixa etária aliado a facilidade de crédito e compras desnecessárias feitas parceladamente.
“É cada vez maior o número de jovens endividados e as razões vão desde a falta de uma educação financeira e orientação dos pais (que muitas vezes sequer tiveram informações sobre o assunto), passando por vivermos num país consumista, além da facilidade do crédito”, afirma o professor
O professor também destaca como elemento que impulsiona esse consumismo a falta de experiência do jovem para saber lidar com o dinheiro e controlar o impulso ao adquirir produtos que não seriam necessários no momento.
Endividamento para mover economia
Para o analista financeiro Igor Queiroz Júnior, um problema que poderá ocorrer com programas de renegociação de dívidas é usar a volta do crédito como motor para aquecer a economia e logo em seguida todos estarem endividados de novo.
“Há propostas do Governo Federal que abrem possibilidades de créditos novos, como a possibilidade do interessado em crédito ofertar como garantia seu plano de aposentadoria ou mesmo seu único imóvel aos bancos”, revela.
Se isso for aprovado, alerta o consultor, a economia será ativada num primeiro momento, exatamente como ocorreu nos primeiros governo Lula, mas a capacidade de endividamento dos jovens, os mais consumistas, e das famílias, não é ilimitada e aí poderemos ter os mesmos problemas vivenciados no segundo governo de Dilma Rousseff.
Planejar para evitar endividamento
Para o educador financeiro Reinaldo Domingues, o principal problema que impulsiona o endividamento de jovens é a falta de capacidade para planejar adequadamente a vida financeira com base no próprio salário.
“Muitos se lançam em longos parcelamentos ou entram em outras linhas de crédito e não se preocupam em construir o futuro, não pensam na estabilidade financeira, numa vida sem atropelos, numa tranquila aposentadoria”, diz Domingues
Para ele, o segredo deste planejamento é saber quanto custa “um sonho”, quanto tempo levará para “pagá-lo” e por último quanto de dinheiro “deve ser reservado todo mês para a realização deste sonho”.
Na cartilha que elaborou para orientar os jovens, Domingues aponta alguns segredos para eles fugirem do endividamento:
- Diagnosticar anualmente as finanças e distinguir o essencial do superflúo;
- Sonhar a curto, médio e longo prazo, diferenciando o que é desejo do sonho verdadeiro;
- Nunca gastar mais do que se ganha;
- Poupar mensalmente.