A Finep lançou dois editais públicos que preveem R$ 220 milhões para o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à agricultura familiar e à aquicultura. A iniciativa integra o programa CooperaMais Brasil Tecnologia, no contexto do Plano Safra da agricultura familiar.
Para acessar os recursos, os candidatos deverão atuar obrigatoriamente em parceria com cooperativas da agricultura familiar ou da aquicultura. A exigência é importante porque aproxima pesquisa, empresas e instituições da ponta produtiva, reduzindo o risco de inovação feita sem conexão com quem trabalha no campo e nas águas.
Os editais são articulados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com os ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Pesca e Aquicultura e da Fazenda. A proposta é usar inovação como ferramenta de desenvolvimento para pequenos produtores.
A agricultura familiar precisa de tecnologia, mas não apenas de máquinas caras ou soluções importadas. O setor demanda assistência técnica, manejo sustentável, irrigação adequada, armazenamento, rastreabilidade, processamento, acesso a mercados, redução de perdas e adaptação climática.
Para a Amazônia, a iniciativa pode abrir espaço para soluções ligadas à produção em várzea, manejo de pescado, açaí, castanha, mandioca, hortaliças, sistemas agroflorestais e cadeias da sociobiodiversidade. A aquicultura também pode ganhar força se houver tecnologia adequada ao ambiente regional.
O ponto crítico será a distribuição dos recursos. Historicamente, editais de inovação acabam concentrados em instituições e empresas com maior capacidade técnica de elaborar projetos. Pequenas cooperativas do interior, que mais precisam de apoio, podem ficar de fora se não houver assistência.
A Finep acerta ao exigir parceria com cooperativas, mas a política precisa garantir que essas parcerias não sejam apenas formais. O produtor deve participar da definição do problema, do teste da solução e da apropriação dos resultados.
Inovar na agricultura familiar não é luxo: é condição para aumentar renda, produzir alimentos, enfrentar mudanças climáticas e manter famílias no campo com dignidade.