A movimentação de passageiros de Manaus para Parintins entrou na fase mais intensa às vésperas do 59º Festival Folclórico de Parintins, marcado para os dias 26, 27 e 28 de junho. O aumento do fluxo para a Ilha Tupinambarana acendeu alerta para saúde pública, segurança no transporte e preparação para a estiagem, em um ano em que o Amazonas já decretou emergência climática e ambiental preventiva por 180 dias.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto informou que participa da operação do festival com 37 profissionais especializados, em atuação antes, durante e depois do evento. O trabalho inclui monitoramento epidemiológico, vigilância sanitária, vigilância ambiental, apoio laboratorial e ações voltadas à saúde do trabalhador, com foco na redução de riscos em um evento de massa.
A presença reforçada da FVS-RCP é necessária porque o festival altera a rotina de Parintins e aumenta a pressão sobre serviços públicos. Durante os dias de festa, a cidade recebe grande volume de visitantes, trabalhadores temporários, artistas, equipes técnicas, vendedores ambulantes e embarcações vindas principalmente de Manaus. Esse cenário amplia riscos relacionados a intoxicação alimentar, doenças respiratórias, acidentes, consumo de água sem controle adequado e sobrecarga no atendimento de urgência.
A Secretaria de Estado de Saúde também divulgou pontos de atendimento para o período do festival. Segundo a SES-AM, ambulâncias ficam posicionadas em locais estratégicos, como aeroporto, Turistódromo e Bumbódromo, para resposta a eventuais ocorrências. A estrutura é importante, mas exige comunicação clara para que moradores e turistas saibam onde buscar ajuda sem deslocamentos desnecessários.
Além da saúde, a estiagem passou a fazer parte do planejamento. O Governo do Amazonas lançou em março o aplicativo “Cidadão – Defesa Civil AM”, ferramenta gratuita que permite receber alertas de riscos, acompanhar níveis dos rios e registrar ocorrências pelo celular. A utilidade do sistema ganha relevância no período de deslocamento para Parintins, especialmente para quem depende do transporte hidroviário.
O ponto crítico é que tecnologia não substitui presença do poder público nos portos, embarcações e comunidades. Em períodos de grande circulação, a fiscalização precisa verificar documentação, capacidade das embarcações, itens de segurança, gratuidade, tarifas e condições de operação. Em anos anteriores, a Arsepam já executou planos específicos de fiscalização no transporte hidroviário durante o festival, com equipes em Manaus e Parintins.
A pauta também expõe um desafio recorrente: o Amazonas consegue mobilizar operações robustas para grandes eventos, mas ainda precisa transformar essa capacidade em política permanente. Saúde, transporte e Defesa Civil não podem funcionar apenas em modo emergencial ou festivo. A população do interior enfrenta os mesmos riscos durante o restante do ano, muitas vezes com menos visibilidade e menor estrutura.
Para quem viaja, a orientação é acompanhar apenas canais oficiais, verificar regularidade da embarcação, evitar alimentos de procedência duvidosa, manter hidratação, levar medicamentos de uso contínuo e observar alertas da Defesa Civil. Para o poder público, a obrigação é garantir que o maior evento cultural do Amazonas também seja exemplo de prevenção, fiscalização e respeito ao cidadão.