O Governo do Amazonas, por meio da Fapeam, recebe até 14 de maio propostas para o programa inédito Lidera Cientista/AM, voltado ao apoio à liderança feminina em inovação e sustentabilidade na Amazônia. A iniciativa pretende fomentar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com impacto econômico, social e ambiental, especialmente ligados à biodiversidade amazônica e à conservação ambiental.
Segundo a Fapeam, o programa deve apoiar até 10 propostas, com investimento total de R$ 2.369.400,00. As submissões devem ser conduzidas por pesquisadoras com título de doutorado, vinculadas a instituições de pesquisa, ensino superior, centros de pesquisa, empresas ou organizações sem fins lucrativos sediadas no Amazonas.
A proposta também mira o desenvolvimento de micro e pequenas empresas de base tecnológica comprometidas com práticas responsáveis e uso sustentável dos recursos naturais. O prazo de vigência dos projetos será de 18 meses.
O edital acerta ao atacar dois gargalos ao mesmo tempo: a baixa presença feminina em posições de liderança científica e a dificuldade histórica de transformar conhecimento amazônico em produtos, serviços e processos com valor agregado. O Amazonas fala muito em bioeconomia, mas ainda precisa provar que sabe transformar floresta em ciência, ciência em negócio e negócio em renda local sem destruir a base natural que sustenta tudo.
O ponto crítico é que edital, sozinho, não muda estrutura. Se o programa terminar apenas em relatórios acadêmicos, apresentações institucionais e fotos de assinatura, será mais uma boa ideia engolida pela burocracia. Para funcionar, precisa de acompanhamento, mentoria, mercado, proteção de propriedade intelectual, conexão com comunidades e transparência sobre os resultados.
A liderança feminina na ciência não deve ser tratada como pauta simbólica. Em um estado que tenta se posicionar como laboratório mundial de soluções climáticas, deixar pesquisadoras fora do centro da inovação é desperdício de talento e de futuro. A Fapeam abre uma porta. Agora precisa garantir que ela não dê apenas para mais uma sala de reuniões.