sexta-feira, 25 de setembro de 2026
FALTA CONSENSO

Falta de clareza do conceito de bioeconomia pode ser prejudicial à Amazônia, revela pesquisa

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Três pessoas exibem nas mãos diferentes sementes da floresta amazônica, representando a biodiversidade e o potencial produtivo da região.

Um estudo publicado na revista Ecological Economics alerta que a falta de uma definição clara do termo bioeconomia pode ser prejudicial à Amazônia e à sua população. Pesquisadores analisaram os termos e conceitos atualmente em uso e avaliaram o impacto deles nas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento e à conservação da região amazônica.

O estudo é assinado por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental, CIRAD (França), Universidade de São Paulo, Lancaster University (Reino Unido), Cambridge University (Reino Unido), Manchester Metropolitan University (Reino Unido), Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém, Brasil) e Universidade Federal de Pernambuco.

A bioeconomia é interpretada de diversas maneiras, conforme as necessidades de diferentes segmentos sociais e visões de cada país. Os cientistas recomendam a formação de um consenso sobre os princípios e definições associadas ao termo

Bioeconomia na Amazônia

Na Amazônia, defendem que a bioeconomia deve estar associada ao compromisso com o desmatamento zero, equidade social e valorização das culturas locais e da biodiversidade.

A amplitude do termo bioeconomia, que inclui biotecnologia, biorrecursos, biomassa, biogás, biocombustíveis e outros, pode colocar em risco a sustentabilidade dos ecossistemas e das populações amazônicas.

O estudo destaca que a bioeconomia abrange diferentes significados e agendas, desde monoculturas até a extração e agregação de valor a produtos não madeireiros.

Os pesquisadores enfatizam a necessidade de esclarecer melhor o termo e estabelecer princípios fortes que considerem os povos amazônicos e a manutenção da floresta.

Sociobioeconomia

Para a Amazônia, o estudo sugere o uso do termo “sociobioeconomia”, que se refere à economia da floresta e à sua sociobiodiversidade, combinando diversidade biológica e cultural.

Essa abordagem deve estar pautada em princípios rigorosos, como o compromisso com o desmatamento zero, equidade social e valorização das culturas locais e da biodiversidade.

A Amazônia é a região mais biodiversa do mundo, abrigando a maior floresta tropical do planeta e cerca de 30 milhões de pessoas. É também o centro de regulação do clima global.

O estudo destaca que a bioeconomia, dependendo de sua abordagem, pode causar impactos negativos ao ambiente.

Um exemplo é a produção do fruto do açaí, que, embora possa promover a conservação e o empoderamento local, tem levado à superexploração e à erosão da biodiversidade devido à rápida expansão do mercado.

Os pesquisadores afirmam que a expansão das atividades de bioeconomia pode alterar drasticamente a Amazônia e que resultados positivos para as pessoas e a natureza dependerão de salvaguardas rigorosas. Definições e princípios que sustentem a bioeconomia devem ser padronizados para garantir benefícios sociais e ambientais.

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