quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Ex-secretário de Amazonino é chamado a depor na CPI da Saúde

Além dele, a CPI da Saúde vai chamar o ex-secretário de Fazenda, Francisco Arnóbio, que assumiu a Sefaz, durante o governo de David Almeida (Avante)
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O ex-secretário de Saúde do Estado, Francisco Deodato, foi convocado a prestar depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde. A data do depoimento ainda será definida pelo colegiado da Comissão.

Após pressão da mídia e parte da população amazonense, que questionou a resistência dos parlamentares que integram a Comissão em convocar servidores e secretários do governo de Amazonino Mendes (Pode), com os recentes depoimentos que apontam possíveis irregularidades em governos anteriores ao de Wilson Lima (PSC), os deputados não enxergaram outra alternativa senão seguir a ordem natural, retroativa, de convocação da CPI.

Francisco Deodato assumiu a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) durante o governo de Amazonino Mendes (Pode), em 2017, e o requerimento que solicita a presença dele e da servidora administrativa da Susam, identificada como  Priscila, foi aprovado pelos colegiados da Comissão nesta terça-feira (4).

Além dele, a CPI da Saúde vai chamar o ex-secretário de Fazenda, Francisco Arnóbio, que assumiu a Sefaz, durante o governo de David Almeida (Avante).

Depoimento chamou a atenção

Os ex-secretários e a servidora da Susam foram chamados pela CPI, após a ex-secretária executiva da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Maria de Belém Cavalcante afirmar que era chamada para assinar documentos de mandatos anteriores, para o arquivamento de processos.

Maria de Belém Cavalcante falou à CPI nesta terça-feira (4)

Durante depoimento na CPI da Saúde, Maria de Belém negou ter autorizado o pagamento de R$ 868 mil referentes a serviços médicos da empresa Norte Serviços Médicos realizados no Barco Pai (Todos Pela Vida).

Maria de Belém Cavalcante esteve na função de secretaria executiva da Susam no período de maio a outubro de 2017, durante o governo de David Almeida (Avante).

Ao ser questionada sobre a assinatura no documento, que viabiliza a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) a realizar o pagamento à empresa, a ex-secretária afirmou que o documento não foi assinado no período em que era titular do cargo.

Maria de Belém Cavalcante disse que a ordem de pagamento, datada em julho de 2017, não foi assinada por ela, porque na época chegou a questionar os valores dos serviços prestados. A ex-secretária disse que encaminhou o documento para o setor jurídico da Susam, para analisarem e emitirem um parecer, mas a ordem de pagamento não retornou.

A ex-secretária afirmou que em dezembro de 2018, durante o governo de Amazonino Mendes (Pode), foi chamada para realizar assinaturas em documentos retroativos para o arquivamento de processos.

Maria de Belém explicou que uma assistente administrativa do setor financeiro da Susam, chamada “Priscila”, era responsável em chamar vários ex-secretários de governos anteriores para assinar documentos.

“Ela (Priscila),em nome do setor dizia que precisava arquivar os processos e não tinha a minha assinatura”, afirmou.

O presidente da CPI da Saúde, deputado estadual delegado Péricles (PSL), disse que a ex-secretária, a partir do momento em que assinou a ordem de pagamento, tornou-se responsável pelos pagamentos de exames que, segundo ele, são superfaturados.

Superfaturamento

De acordo com o presidente da CPI da Saúde, deputado estadual delegado Péricles (PSL), a empresa Norte Serviços Médicos recebeu R$ 868 mil da Susam para custear quatro dias de serviços de saúde nos municípios de Guajará, Ipixuna e Envira, nos dias 28 e 29 de julho e nos dias 10 e 11 de agosto.

O deputado estadual Delegado Péricles disse que na rede privada, a soma os valores para realização dos exames de conização e colposcopia custa até R$ 1.300, mas que o valor unitário, pago à Norte Serviços Médicos, em 2017, foi de R$ 8.680.

Texto: Izaías Godinho

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