O ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, fez duras críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado envolvendo Jair Bolsonaro.
Em entrevista à Coluna do Estadão, Mello afirmou que só uma análise psicanalítica poderia explicar algumas das decisões recentes do colega de toga.
“Eu teria que colocá-lo em um divã e fazer uma análise do que ele pensa, do que está por trás de tudo isso”, disse Marco Aurélio.
A declaração foi feita em referência às medidas impostas por Moraes, como o uso de tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro, a proibição de usar redes sociais e o impedimento de contato com o filho Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.
Para Mello, essa atuação individualizada e ampliada do STF representa um risco para a imagem da instituição.
“A história cobrará esses atos praticados”, afirmou, destacando ainda que considera censura a proibição de diálogos e manifestações. “Mordaça, censura prévia, em pleno século que estamos vivendo. É incompreensível.”
Ele também questionou o papel do STF na condução do processo.
“Estive 31 anos na bancada do Supremo e nunca julgamos, em turma, processo penal. Alguma coisa está errada”, disse, criticando o fato de o inquérito ter sido centralizado na Corte.
Mello classificou como “humilhante” a medida que impôs a tornozeleira a Bolsonaro, expressão que o próprio ex-presidente também usou para se referir à decisão.
O ex-ministro defendeu que o STF volte a atuar de forma mais colegiada e menos concentrada na figura de um único ministro.
A crítica de Marco Aurélio se soma à do ministro Luiz Fux, que ainda está na ativa. Fux foi o único voto contrário às cautelares impostas a Bolsonaro durante o julgamento na Primeira Turma do STF, ao considerar as medidas excessivas.
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