quinta-feira, 1 de outubro de 2026

População considera situação dos igarapés de Manaus crítica e cobra ações mais efetivas

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Servidor da Semulsp executando o serviço de limpeza de igarapé (Foto: Divulgação/Semulsp)

Os igarapés que cortam Manaus continuam sendo um retrato visível do impacto ambiental e da falta de cuidado com a cidade.

Na mais recente edição da enquete #QueremosOuvirVocê!, realizada pelo RealTime1 nas redes sociais, 94% dos participantes afirmaram que os igarapés da capital “estão poluídos e sem cuidados”.

A enquete perguntou: “Como está a situação dos igarapés que cortam a cidade de Manaus?”.

O resultado reforça a percepção de abandono: apenas 1% disseram notar “melhorias recentes em alguns trechos”, enquanto 3% reconheceram que “há limpeza ocasional, mas falta manutenção”. Outros 2% afirmaram não saber responder ou não ter igarapés próximos.

Além dos números, os comentários dos moradores reforçam a sensação de descaso.

No Instagram, uma seguidora lamentou: “Os igarapés de Manaus estão todos contaminados pelo lixo. O povo também não colabora. É muito triste.”

Um morador descreveu a gravidade do problema: “Geladeiras velhas, plásticos, resíduos de esgoto. Uma vez vi resíduos vermelhos saindo de uma fábrica. É bem triste. Não sei se há solução.”

Outros relatos chamam atenção para as consequências diretas das enchentes: “O igarapé da minha rua alaga e inunda as casas quando chove.”

Especialistas alertam que os igarapés cumprem um papel essencial na drenagem natural das águas, especialmente durante o período chuvoso.

Segundo eles, se não houver um cuidado adequado com esses cursos d’água, o risco de alagamentos em Manaus tende a aumentar progressivamente – agravado ainda mais pelos efeitos das mudanças climáticas e pela ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos.

Um desafio que exige planejamento permanente

Com aproximadamente 1500 igarapés urbanos, Manaus enfrenta um desafio que ultrapassa a limpeza ocasional ou ações emergenciais. Não basta atuar em mutirões pontuais.

O enfrentamento da degradação exige um programa contínuo, com metas públicas, fiscalização efetiva e projetos robustos de educação ambiental.

Após quatro anos de gestão, espera-se da segunda gestão da administração municipal um plano estratégico mais abrangente — um projeto de longo prazo capaz de mudar o rumo da história dos igarapés da capital.

A preservação dos igarapés precisa deixar de ser um compromisso apenas no discurso e se tornar uma política pública permanente, com participação efetiva do poder público, da sociedade civil e de cada cidadão.

Os limites das ações municipais

Desde o início do ano, a Prefeitura de Manaus intensificou a limpeza de alguns cursos d’água, como os igarapés do Alvorada, Igarapé do 40 e Mindu, com serviços de dragagem, capinação e coleta de resíduos. Também houve ações de educação ambiental.

No igarapé do Franco, que corta bairros como Compensa e Presidente Vargas (também conhecido como Matinha), a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) vem utilizando balsas, redes e realizando o transbordo dos resíduos para o aterro sanitário e instalando ecobarreiras.

No entanto, apesar dessas ações, o problema permanece sem uma solução definitiva — reflexo de um histórico de ocupação desordenada, lançamento de esgoto sem tratamento e descarte irregular de resíduos.

‘Os igarapés mortos de Manaus morreram em silêncio‘

Uma das iniciativas fora do poder público é da ONG Mata Viva, fundada pelo jornalista Jó Farah, que atua na preservação do igarapé Água Branca, em Manaus.

O principal objetivo da ONG é conservar o igarapé Água Branca, um dos últimos remanescentes limpos da floresta urbana em Manaus, que abriga uma rica biodiversidade.

Entre as espécies encontradas na região estão sauins, parauacus, guaribas, pacas, cutias, o raríssimo tamanduaí e diversas aves. Segundo Jó Farah, o igarapé é o último curso d’água limpo da cidade.

“Os igarapés mortos de Manaus morreram em silêncio. Mas este igarapé tem voz”, destaca Farah.

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