quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Entre restaurações isoladas e descaso, o patrimônio histórico segue ameaçado

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A recuperação de centros históricos nas capitais do mundo começa pela preservação arquitetônica, o reuso adaptativo de espaços e a valorização cultural.

A recuperação de centros históricos nas capitais do mundo começa pela preservação arquitetônica, o reuso adaptativo de espaços e a valorização cultural.

Manaus e Belém, no entanto, apesar de possuírem acervos arquitetônicos únicos, ainda não conseguiram estruturar programas robustos de reuso adaptativo, deixando casarões históricos à mercê do abandono.

Experiências bem-sucedidas em Lisboa, Quito e Havana mostram que a restauração de fachadas e edifícios é decisiva para devolver vitalidade a essas áreas.

Nessas cidades, os projetos modernizam redes de água, energia e acessibilidade sem abrir mão das características originais, reforçando a identidade histórica.

Outro movimento em expansão é o reuso adaptativo, que transforma prédios subutilizados em bibliotecas, coworkings, residências e até hotéis.

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No Porto, em Portugal, o programa CRUARB converteu casarões degradados em moradias populares e novos equipamentos sociais, revitalizando o bairro da Ribeira e criando um modelo que se tornou referência mundial.

A cultura, por sua vez, completa esse primeiro eixo. Em Roma, Paris e Kyoto, circuitos culturais, feiras de rua e museus a céu aberto atraem visitantes, dinamizam a economia e mantêm viva a identidade local. A cultura, nesse caso, é tanto motor econômico quanto mecanismo de pertencimento coletivo.

No Brasil, a prática de preservação dos centros históricos

No Brasil, a prática de preservação arquitetônica avança lentamente e de forma desigual.

Em São Luís, Patrimônio Mundial pela Unesco, houve iniciativas significativas de restauração, mas muitas áreas do centro histórico permanecem em estado de abandono.

Em Salvador, a revitalização do Pelourinho trouxe ganhos turísticos, mas enfrenta críticas de expulsão de moradores locais.

Já em São Paulo, a área central passa por um debate intenso entre restauro e requalificação com novos usos, mas enfrenta barreiras como insegurança, burocracia e falta de investimento coordenado

Em resumo, o que no mundo é tratado como política de Estado com planejamento de longo prazo, no Brasil ainda avança em ciclos pontuais, sem consistência e com forte dependência do turismo, em vez de uma integração ampla à vida urbana.

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