quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Comerciantes e moradores cobram plano da Prefeitura para tirar o Centro de Manaus do abandono

COMPARTILHE
Comerciantes e moradores cobram plano da Prefeitura para tirar o Centro de Manaus do abandono
Prefeitura está “devendo” para a cidade um plano de recuperação e reordenamento do centro da cidade.

Um levantamento do RealTime1 com 190 pessoas — entre comerciantes, moradores, proprietários de imóveis, comerciários e ambulantes — revela um diagnóstico duro e unânime sobre a situação do Centro de Manaus e para quem vive o dia a dia da área central: a área está abandonada pelo poder público municipal.

Para 97% dos entrevistados, a Prefeitura está “devendo” para a cidade um plano de recuperação e reordenamento do centro da cidade.


O cenário descrito é de abandono: ruas sujas, insegurança, comércio informal descontrolado e problemas crônicos que afastam clientes, moradores e até turistas.


“É como se o Centro tivesse sido riscado do mapa da Prefeitura”, disse um comerciante com mais de 30 anos de atividade na área central da cidade.

Abertura de ruas como chance de reativar o comércio

Quando questionados sobre a proposta de reabrir ruas atualmente fechadas para pedestres 82% dos entrevistados veem na reabertura de vias fechadas para pedestres uma forma concreta de trazer mais gente ao Centro e aumentar a renda do comércio.

Além do impacto econômico, apontam que a medida facilitaria o acesso de veículos de emergência, como o Corpo de Bombeiros, em casos de incêndio.

“Hoje, se o fogo começa, é capaz de chegar ao rio antes do socorro conseguir entrar”, ironizou um funcionário de uma loja de roupas.

Segurança e limpeza lideram reclamações

A falta de segurança foi apontada por 92% como um dos maiores problemas do centro de Manaus.
Os relatos incluem roubos, furtos e medo constante, agravados pela presença ostensiva do tráfico e de usuários de drogas que assustam e afugentam quem precisa ir ao centro da cidade.

Para 96%, o tráfico de drogas, a mendicância e a prostituição tomaram conta de diversos pontos, sem reação efetiva da Prefeitura ou do Governo do Estado.

“O poder público só aparece para cobrar impostos. Para limpar, fiscalizar ou proteger, não aparece nunca”, afirmou uma lojista.

A ausência de limpeza pública e coleta de lixo regulares foi apontada por 95%, deixando ruas e calçadas com aparência de abandono permanente.

Para muitos, a situação compromete não apenas a imagem da região, mas também a saúde pública.

Pouca atuação da vigilância sanitária e combate ao comércio irregular

O comércio informal foi descrito como “descontrolado” e “a serviço de grupos estrangeiros”, principalmente coreanos e chineses.

Há dúvidas sobre a legalidade de bares e botecos e críticas à suposta ausência de fiscalização da vigilância sanitária.

“Parece que aqui vale tudo, menos trabalhar dentro da lei”, disse um proprietário de imóvel.

A chamada “máfia dos flanelinhas” também foi lembrada: 96% dizem que a cobrança irregular afasta clientes.

“O cliente prefere ir a um shopping do que ser extorquido aqui, na porta da loja”, relatou um ambulante.

Ausência de políticas efetivas para manter a vida urbana na região

Para 88%, reduzir progressivamente o valor do IPTU de empresas que que permanecem no Centro ajudaria a manter negócios abertos e atrair novos empreendimentos.

O recado é direto: sem segurança, limpeza, fiscalização e um plano claro de reabilitação, o Centro de Manaus seguirá perdendo clientes, empregos e qualquer chance de voltar a ser o coração comercial da cidade.

População do centro despenca

Na década de 1970, cerca de 66 mil pessoas moravam no Centro de Manaus. Em 2022, esse número despencou para 22 mil moradores.

A perda de mais de dois terços da população em meio século expõe um processo contínuo de esvaziamento residencial e reforça a percepção de que o poder público não tem políticas efetivas para manter a vida urbana na região.

COMPARTILHE