Depois de meses de dificuldades provocadas pelas restrições da pandemia da Covid-19 no estado, o comércio amazonense começa a dar sinais de recuperação. Entre os sinais dos bons ventos que chegam ao setor está a maior arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual entre todos os segmentos econômicos, no mês de julho, e a liderança na geração de novos postos de emprego.
A avaliação é do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio AM), Aderson Frota.
Em entrevista concedida à TV Real Time1, Frota lembrou que só no último mês de julho, o segmento comercial e de serviços foi responsável pela maior arrecadação estadual do tributo.
“Nosso segmento foi o que mais contribuiu. Foram mais de R$ 6,3 bilhões de ICMS recolhidos ao estado, enquanto a indústria registrou apenas R$ 5,4 bilhões. O comércio, pela sua importância, pelo seu desempenho, foi quem mais arrecadou para o governo do estado”, destacou.
Outro fator que indica a recuperação do setor, apontado pela Fecomércio, são os índices de geração de empregos. De acordo com Aderson Frota, só no mês de junho, 75% dos postos de trabalho gerados no Amazonas foram criados pela atividade comercial e de serviços, que já soma mais de 300 mil empregos formais no estado.
“O comércio e serviços, nosso segmento, é responsável pela maioria dos empregos [no Amazonas]. Somos os maiores empregadores no estado todo. Estamos presentes na capital e no interior do estado. Empregamos mais de 350 mil pessoas. Quando o comércio funciona e quando ele se recupera, ele gera o maior volume de empregos”.
Comércio teve 180 dias de portas fechadas
Fazendo um balanço sobre as dificuldades dos últimos meses, Frota é categórico ao afirmar que o comércio foi a matriz econômica que mais sofreu durante a crise sanitária. Na opinião do empresário o segmento foi errônaemente apontado como “o provocador de aglomerações e da pandemia”.
“De março do ano passado até março deste ano, tivemos mais de 180 dias de portas fechadas. Isso significa dizer que o sofrimento maior e a matriz econômica que mais pagou em sofrimento, reprimendas e restrições foi a atividade comercial”, lamentou.
Diante da possibilidade de uma terceira onda da Covid-19 no estado, o presidente da Fecomércio é veemente ao rejeitar a pecha de “provocadores da pandemia” atribuída ao comércio.
“Se vier uma terceira onda, não vamos aceitar que as autoridades atribuam ao comércio o papel de provocador da pandemia. Nós não somos os provocadores da pandemia. O que nós sabemos que provocam a pandemia são coisas claras: os coletivos que andam lotados – e sequer têm álcool em gel, como tem em qualquer estabelecimento comercial -, são as feiras e mercados onde as pessoas não têm o cuidado”, finaliza.
Assista à entrevista na íntegra:
Texto: Lucas Raposo
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