O candidato a presidente da República que apresentar um plano específico para a proteção Amazônia tem mais chance de conquistar o eleitor. Foi o que disseram três em cada quatro eleitores em pesquisa recente do instituto PoderData. A proteção da Amazônia, segundo 76% dos entrevistados, precisa estar entre as prioridades dos presidenciáveis.
O PoderData ouviu em junho 3 mil pessoas com 16 anos ou mais. A pesquisa, encomendada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), tem margem de erro de dois pontos percentuais. Segundo a cientista política Arleth Borges, da Universidade Federal do Maranhão, o resultado mostra que, mesmo em um cenário de agravamento da fome, da inflação e das consequências dramáticas da pandemia sobre a Educação, a preocupação dos brasileiros com a Floresta Amazônica terá peso na decisão do voto.
“A centralidade da pauta da Amazônia se inscreve no plano mais amplo das questões ambientais, cujas tragédias e desequilíbrios têm chegado cada vez mais perto das pessoas, pelos excessos de chuvas ou secas, dependendo da região, pelas enfermidades associadas a desequilíbrios ambientais, e pelos avanços sobre áreas de proteção e de populações tradicionais por parte de empreendimentos madeireiros, agropecuários ou de mineração”, acrescenta Arleth, que coordena o Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal no Maranhão.
Amazônia pode definir voto
“Em outubro teremos eleição para presidente do Brasil. Na sua opinião, a proteção da Amazônia deve ser uma prioridade para os candidatos a presidente?” Diante da pergunta, 76% dos eleitores consultados pelo instituto responderam que concordam com essa prioridade, e apenas 18% discordaram. Seis por cento não souberam responder.
Os pesquisadores questionaram, então, se a chance de votar em alguém aumentaria se esse candidato a presidente apresentasse um plano específico para a proteção da Floresta: 62% responderam que sim. O índice dos que disseram que isso não faria diferença na decisão de voto foi de 23%, menos da metade do grupo majoritário.
A pesquisa deixa claro que a maioria dos eleitores não tem em boa conta o trabalho do governo federal na proteção da Floresta Amazônica. A maior parcela dos entrevistados, 48%, considerou ruim ou péssima essa atuação, 22% a consideraram regular, e apenas 19% acham este trabalho ótimo ou bom.
A Floresta e a fome
O eleitor demonstrou também que compreende a relação que existe entre a preservação da floresta e a questão da fome no Brasil. A grande maioria, 65%, considera que a proteção da floresta pode ter um impacto positivo no combate à fome no País, contra 18% que vê nessa proteção um impacto negativo. Ou seja, há mais brasileiros que vêem mais potencial de combater a fome na proteção da floresta do que em sua destruição por atividades econômicas tradicionais. Não souberam responder 17% dos entrevistados.
Para a bióloga Hannah Baleiro, do Instituto Mapinguari, do Amapá, o eleitor se mostra disposto a votar pensando na importância da Amazônia por entender a gravidade da volta do Brasil para o mapa da fome. “Apoiar a produção sustentável de alimentos é essencial, e o eleitor entende que o sistema de produção do agronegócio não alimenta a população e ainda impacta negativamente a proteção da região, pois precisa desmatar para produzir, agravando a crise climática” , avalia a bióloga.
Os eleitores estão atentos também, na opinião de Hannah, ao contexto de violência e da falta de participação da população da Amazônia nos seus processos decisórios. “Todos os candidatos têm muitos pontos para trabalhar em cima de propostas para a Amazônia nessas eleições”, afirma a bióloga.
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