quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Produção de açaí ganha incentivo com criação de fábrica flutuante

Projeto idealizado pela iniciativa privada une desenvolvimento regional e sustentabilidade ao adquirir o açaí do produtor rural e transformá-lo em polpa para comercialização.
COMPARTILHE

Com primeira viagem prevista para ocorrer no sábado (22), a fábrica flutuante abastecida por energia solar idealizada pelos grupos Transportes Bertolini e Valmont, navegará com destino ao município de Coari (distante 362,44 quilômetros). A viagem atenderá aos primeiros produtores de açaí, que terão a produção comercializada e beneficiada.

O projeto, segundo a empresa Bertolini, é inédito no mundo, e tem o intuito de beneficiar o produtor rural por meio da soma entre o desenvolvimento regional e a sustentabilidade.

O valor investido na fábrica flutuante foi da ordem de R$20 milhões. Anualmente, a empresa Bertolini afirma que deverá injetar R$5 milhões em investimentos às comunidades ribeirinhas, beneficiando cerca de 5 mil famílias, por ano.

A fábrica tem capacidade para processar 20 toneladas do fruto por dia, com produção de 12 toneladas de polpa de açaí, diariamente. A polpa produzida será armazenada em três câmaras frigoríficas que juntas têm capacidade de armazenagem de 300 toneladas.

De acordo com o assistente da presidência da empresa Transportes Bertolini, Fabio Gobeth, a empresa ao desenvolver o projeto pensou em ações que pudessem retribuir a receptividade recebida pelo Amazonas desde a instalação da empresa de transportes no estado.

“É um projeto que busca retribuir ao Amazonas o apoio que recebemos desde que a empresa iniciou no estado. Queremos proporcionar desenvolvimento regional com sustentabilidade aos ribeirinhos. A fábrica é capaz de processar açaí sobre uma balsa para que assim possamos levar a indústria até o ribeirinho”, disse.  

“Coletaremos o açaí desses produtores extrativistas, açaí este que vem da floresta e compõe a renda dessas pessoas. A estrutura vai receber o fruto, processar e congelar o produto final instantaneamente para garantir o produto mais fresco possível”, completou.

A fábrica também tem capacidade para processar outras frutas como óleos e castanhas. Posteriormente, a embarcação navegará pelas calhas dos rios Solimões, Japurá, Juruá, Purus e Madeira.

Abastecimento por energia solar

A estrutura é equipada com 685 placas solares divididas entre: laterais, frente e parte superior. As placas coletam a energia do sol e a distribuem em um sistema de baterias B-BOX off grid com 64 baterias disponíveis para armazenagem.

“Nosso projeto de baterias B-BOX off grid é o maior do mundo, projeto desenvolvido em conjunto junto com as empresas Valmont, BYD e SMA”, disse Bertolini.

Geração de mão-de-obra

A fábrica flutuante conta com cerca de 20 colaboradores empregados diretamente e a cada viagem serão gerados mais 50 empregos para atuação em alguns serviços na balsa. Os ribeirinhos serão contratados para esses serviços.

Texto: Priscila Caldas

Leia Mais:

COMPARTILHE