As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) têm sido cobradas a aprofundar suas propostas para a economia, consideradas vagas por especialistas ouvidos pela reportagem. Para os economistas, faltam explicações sobre o financiamento do Auxílio Brasil em 2023, por exemplo, além de detalhes a respeito da correção da tabela do Imposto de Renda que ambos prometem fazer.
Para o economista Maílson da Nóbrega, que foi ministro da Fazenda no governo José Sarney (1985-1990), a ausência de detalhes tem uma “lógica eleitoral”, já que a maior parte do eleitorado está mais preocupada com as propostas em si, e não em como elas serão colocadas em prática.
“Seria o ideal [ter mais detalhes]. É assim nos países ricos, como Estados Unidos, Reino Unido e França. Mas, no Brasil, metade do eleitorado é de baixa renda. Para essas pessoas, não é relevante ouvir as propostas dos candidatos para a questão fiscal. Elas estão preocupadas em sobreviver. Por isso, mesmo quando os candidatos apresentam ideias, elas são muito genéricas”, analisa.
A economista Carla Beni Menezes de Aguiar, professora dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), concorda que as promessas são vagas e diz sentir falta de propostas para diminuir a desigualdade de oportunidades, considerada a “questão central”. Além disso, segundo a especialista, as eleições deste ano são “atípicas”, uma vez que o debate está centrado nos possíveis riscos à democracia.
“Hoje, discutir sobre a manutenção ou a ruptura da democracia passou a ficar em primeiro lugar. A questão econômica vai vir após as eleições”, afirma.
Nomes não foram divulgados. Os candidatos também têm sido questionados sobre suas equipes. Recentemente, segundo reportagem da “Folha”, Lula disse a aliados do PSD que não adiantaria nomes de ministros antes do fim das eleições. Já Bolsonaro elogiou o ministro da Economia, Paulo Guedes, e disse que vai manter todos os integrantes de seu governo caso seja reeleito.
“Fica muito difícil de avaliar [o que cada governo fará] porque não sabemos quem vai ser o ministro do Lula e, no caso do Bolsonaro, o ministro da Economia é o [deputado federal] Arthur Lira [PP-AL], que é o presidente da Câmara. Com essa polarização toda, os candidatos estão se recusando a entrar em temas mais espinhosos”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Fonte: Folhapress
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