No exercício da presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, reagiu, nesta quarta-feira (7), à proposta do ministro da Economia Paulo Guedes, que condiciona a redução das alíquotas do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) ao corte de R$ 40 bi em subsídios federais concedidos a empresas, incluindo as do Polo Industrial de Manaus (PIM).
De acordo com Antonio Silva, as fábricas do PIM são resposáveis por 80 mil empregos diretos e a expectativa é que chegue a 100 mil empregos ainda este ano.
“O ministro precisa conhecer um pouco melhor o nosso modelo para que ele possa comentar e fomentar o desenvolvimento do nosso Polo Industrial, que é um polo exitoso, que outrora ja abrigou cerca de 132 mil empregos e hoje estamos com 80 mil [empregos], lutado para para voltar, pelo menos, ao patamar de 100 mil empregos”, detalhou Silva.
A declaração aconteceu após reunião na sede da CNI, em Brasília, com o deputado e vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PR). O parlamentar endossou a defesa ao modelo Zona Franca e cobrou mais respeito por parte de Guedes com os investidores e trabalhadores do PIM.
“Faço um apelo ao ministro Paulo Guedes para que tenha uma atitude mais respeitosa com aqueles empreendedores que acreditam na Zona Franca de Manaus, que fazem e projetam novos investimentos para a nossa cidade e, principalmente, com os empregados do Polo Industrial de Manaus. Aquelas pessoas precisam dos seus postos de trabalho para sustentar suas famílias com o mínimo de dignidade”, completou Ramos.
O que diz a proposta de Guedes?
A reforma tributária proposta pelo Ministério da Economia prevê um corte de 5 pontos percentuais do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) em duas etapas de 2,5 p.p. Dessa forma, em 2023, o IRPJ cairia de 25% para 20%.
No entanto, cálculos da Receita Federal apontam que seria possível reduzir o imposto em 7,5 pontos percentuais (para 17,5%) já em 2022, com o corte de subsídios federais. Um dos alvos da equipe econômica de Guedes é o incentivo concedido ao setor de refrigerantes na Zona Franca de Manaus.
Durante audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira, o ministro da Economia defendeu a manutenção dos benefícios do Polo Industrial de Manaus apenas para empresas de tecnologia. O objetivo, segundo Guedes, seria fazer da cidade a capital da economia sustentável.
“Vamos dar a isenção. Mas em vez do IPI, que é o produto industrial que vai lá sujar a selva, não tem imposto de renda por 30 anos para quem colocar a sede lá. Desde que seja verde, digital, limpa, turismo”, defendeu.
Texto: Lucas Raposo
Leia Mais: