O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro atingiu a marca de 58,5% em abril, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quara-feira (28). O resultado representa o maior percentual da série histórica, iniciada em janeiro de 2005.
Para chegar ao número, o BC divide o montante total de dívidas pela renda das famílias, em um período de 12 meses.
O endividamento recorde foi provocado, principalmente, pelos reflexos econômicos da pandemia do coronavírus. Com dificuldades para fechar as contas, famílias recorrem cada vez maias ao crédito bancário, o que, consequentemente gera mais dívidas.
“O crescimento do endividamento das famílias mostra que o saldo de crédito para pessoas físicas tem avançado em um ritmo maior que o da renda dos trabalhadores”, afirmou o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha
Ainda pelos números do Banco Central, em abril o comprometimento da renda das famílias com empréstimos e financiamentos bancários chegou a 30,5% – mesmo porcentual registrado desde fevereiro deste ano. Antes do início da pandemia, este percentual estava abaixo de 30%.
Por outro lado, de acordo com Rocha, houve uma diminuição na concessão de crédito para empresas, enquanto o estoque para famílias segue aumentando de ritmo.
“No segundo semestre do ano passado, tivemos um crescimento muito grande no crédito para pessoas jurídicas, com os programas lançados durante a pandemia. Como esses programas não existem mais, é normal que haja uma desaceleração dos saldos em 12 meses. Já no caso das pessoas físicas, o estoque segue em alta sendo puxado pelo crédito pessoal”, explicou Rocha.
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