A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) prevê normalização no fornecimento de componentes eletrônicos às indústrias do setor apenas em 2023. A entidade afirma que o cenário de dificuldade para o acesso aos insumos é agravado por fatores como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e o novo surto de Covid-19 seguido de lockdown na China.
Conforme a Abinee, que também representa indústrias do segmento elétrico e eletrônico no Polo Industrial de Manaus (PIM), as fabricantes seguem operando com dificuldades. A associação informa que no mês de abril as empresas tiveram problemas em relação ao recebimento de insumos e a previsão é que o cenário negativo tenha continuidade ao longo do terceiro trimestre.
“Em função dessas dificuldades, algumas empresas elevaram seus estoques, mas ainda não em volume suficiente para aguentar muito tempo sem a chegada de novos componentes. As medidas de lockdown em regiões da China preocupam e as empresas estão discutindo alternativas para não parar a produção”, informou a Abinee por meio da assessoria.
O lockdown na China também eleva os custos de tudo o que é movimentado em Xangai. Isso porque falta mão de obra para qualquer serviço de transporte, como motorista e operador de máquina.
“Ao mesmo tempo, o setor convive com dificuldades em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia, uma vez que os dois países são grandes produtores de insumos para chips semicondutores”, cita a nota.
Sondagem Conjuntural
Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico realizada em março (antes dos lockdowns na China) pela Abinee apontou queda na confiança dos empresários do setor quanto à normalização no fornecimento dos componentes para 2022.
O levantamento identificou que 30% das empresas esperam normalidade no abastecimento de componentes semicondutores até o final de 2022. Essa expectativa era apontada por 53% das empresas em janeiro. Por outro lado, subiu de 34% para 45% as indicações de normalidade apenas em 2023.
Para a Abinee, a situação evidencia, a vulnerabilidade do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) em relação aos insumos chineses e reforça a necessidade de o Brasil atrair investimentos para a produção local de componentes e semicondutores para diminuir essa dependência, mantendo a atividade produtiva nacional.
Texto: Priscila Caldas
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