A diretora-executiva da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, alinhou o depoimento dado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta quarta-feira (14), com a versão do Governo Federal para, assim, livrar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) da denúncia de ter prevaricado ao ser informado pelos irmãos Miranda de irregularidades no contrato da empresa com o Ministério da Saúde.
Contrariando até um vídeo no qual ela mesma afirma que encaminhou ao Departamento de Importação do Ministério documentos e invoices (nota fiscal internacional) no dia 18 de março, Emanuela sustentou durante várias questões do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que a primeira invoice emitida pela Precisa foi enviada ao Ministério no dia 22 de março, dois dias após o diretor do Departamento de Importação do Ministério, Luís Ricardo Miranda, e o irmão dele, o deputado federal Luís Cláudio Miranda (DEM-DF), levarem o documento para o presidente Bolsonaro em uma reunião no Palácio do Alvorado, denunciando as irregularidades do contrato.
De acordo com os irmãos Miranda, o presidente achou grave a denúncia e disse que levaria o caso para o conhecimento do diretor-geral da Polícia Federal, mas não tomou essa providência, o que configuraria crime de prevaricação, que ocorre quando um servidor público toma conhecimento de um crime e não toma providências para coibi-lo.
A argumentação do governo, exposta pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, foca na data em que a invoice chegou ao ministério. Se a empresa enviou a invoice no dia 22, portanto, os irmãos não poderiam tê-la apresentado ao presidente dois dias antes.
Texto: Gerson Severo Dantas
Leia Mais: