O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Antônio Barra Torres, afirmou, nesta terça-feira (11), durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que o Brasil deve muito a CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.
Ele deu essa declaração ao responder uma pergunta do senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) sobre as qualidades da vacina que é muito criticada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que já chegou a chamá-la de “vacina chinesa do Doria”, numa referência ao governador de São Paulo, João Doria Júnior (PSDB).
Discussões sobre a Sputinik V
Em outros momentos do depoimento, Barra Torres fez várias considerações para referendar a decisão da Anvisa de reprovar a importação da vacina russa Sputnik V, um tema que passou pelas perguntas de vários senadores na manhã de hoje.
Barra Torres, em resposta ao senador Marcos Rogério (DEM/RO), disse que a Sputnik V não é usada em mais de 60 países, como o desenvolvedor russo afirma. Ele contou que o assessor internacional fez contatos com estes 60 países e destes 24 informaram que não usavam a vacina. Onze sequer responderam.
O presidente da Anvisa disse ainda que das agências regulatórias importantes, congêneres da Anvisa, apenas as do México e da Argentina tem maturidade e reconhecimento internacional.
“A agência do México não forneceu as informações que pedimos alegando contrato de confidencialidade. A da Argentina apresentou uma resposta, em quatro páginas, que não trouxe informações relevantes”, disse Barra Torres.
Ele explicou que o grande problema da Sputnik é, não só o caso do vírus replicante, um adenovírus, que leva parte do coronavírus e induz a criação de anticorpos, mas sim estudos consistentes sobre o efeito da vacina no sistema reprodutivo humano.
Texto: Gerson Severo Dantas
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