Apesar de registrar a quarta alta consecutiva, a procura por crédito por parte das empresas cresceu apenas 0,9% em março de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024. O ritmo mais lento em relação aos meses anteriores, quando o crescimento chegou a 13,1%, indica cautela do setor empresarial diante dos juros altos.
O dado é do Indicador de Demanda das Empresas por Crédito, da Serasa Experian, que aponta que a alta em março foi sustentada, sobretudo, pelas micro e pequenas empresas, com crescimento de 1,1% na procura por empréstimos. Já as médias e grandes empresas reduziram a busca por crédito, com quedas de 4,8% e 4,7%, respectivamente.
O cenário atual de juros elevados exige que empresas avaliem com mais cuidado o custo do crédito, com a taxa Selic, que em setembro passado estava em 10,5% ao ano, chegando a 14,75% em maio, encarecendo os financiamentos em geral.
Mesmo assim, muitas micro e pequenas empresas seguem buscando crédito como ferramenta para manter o fluxo de caixa e cobrir despesas operacionais, especialmente em momentos de baixa receita.
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Serviços e indústria puxam a demanda; comércio recua
Entre os setores, quem mais procurou crédito em março foi o de serviços, com alta de 3,3%, seguido pela indústria, com 2,9%. Já o comércio teve retração de 2,5% na comparação anual.
A economista destaca que essa oscilação entre setores e portes revela um ambiente econômico instável, no qual a decisão de tomar crédito depende de múltiplos fatores, como previsões de consumo, pressão de custos e expectativa em relação à inflação.
Crédito mais caro, consumo mais fraco
A alta da Selic tem como objetivo conter a inflação, que fechou em 5,53% nos últimos 12 meses até abril, segundo o IBGE. A lógica do Banco Central é simples: ao tornar o crédito mais caro, o consumo tende a cair, ajudando a frear os preços.
Mas o efeito colateral disso é sentido no dia a dia das empresas, que adiam investimentos e ficam mais seletivas ao recorrer ao crédito. Ainda assim, no acumulado de 12 meses até março, a demanda por empréstimos cresceu 4,2%.
*Com informações da Agência Brasil