quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Dan Câmara defende ação integrada para conter o avanço do crime organizado na Amazônia

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Comandante Dan acredita que plano emergencial é fundamental para controle do avanço do crime na amazônia. (Foto: Divulgação).

O deputado estadual Comandante Dan (Podemos) reforçou a necessidade de um Plano Emergencial Integrado para conter o avanço do crime organizado na Amazônia.

Como presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o parlamentar destacou que o crime organizado tem se infiltrado em setores estratégicos da economia, como pesca, combustíveis, ouro e narcotráfico, ampliando sua influência na região.

Segundo ele, é necessária uma atuação coordenada entre forças estaduais, federais e municipais, para frear o avanço das facções criminosas.

Crime organizado avança sobre a economia da Amazônia

De acordo com um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, facções como o PCC e o Comando Vermelho movimentaram R$ 146,8 bilhões em 2022, expandindo suas operações para mercados legalizados.

No setor de combustíveis, um levantamento do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma) revela que, nos últimos três anos, 7 milhões de litros de combustível foram roubados por piratas dos rios, resultando em um prejuízo de R$ 48 milhões.

O deputado Comandante Dan também aponta que a ausência do poder público tem levado comunidades ribeirinhas a dependerem do crime organizado para sustento, tornando ainda mais difícil o combate a essas facções.

RealTime1 pergunta ao deputado estadual Comandante Dan:

1. O senhor menciona um plano emergencial para conter o avanço do crime na Amazônia. Há um documento formal detalhando essa proposta? O governo estadual ou federal foi consultado sobre essa medida?

Comandante Dan: Tenho abordado a solução do Plano Emergencial Integrado desde o início do meu mandato. Há um documento de mais de 500 páginas que foi tramitado na Assembleia Legislativa e remetido como Requerimento Indicativo ao governador Wilson Lima, ao secretário de Segurança Pública e ao então Ministro da Justiça, Flávio Dino. Pessoalmente, entreguei cópias também ao atual ministro Ricardo Lewandowski e aos secretários nacionais de segurança pública.
Realizamos dois Seminários de Segurança Inovadora, em 2023 e 2024, com especialistas nacionais. Discutimos alternativas de segurança para a Amazônia e a necessidade de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para a faixa de fronteira, onde as facções transnacionais entram no Brasil.

2. Como a atuação das forças de segurança estaduais e federais poderia ser ampliada na região? Como está o diálogo com o Ministério da Justiça ou a Polícia Federal para reforçar o policiamento?

Comandante Dan: Temos feito apelos constantes ao governo federal. Em 2023, trouxemos a Manaus o então Secretário Nacional de Segurança Pública, Tadeu de Alencar, para ouvir prefeitos e vereadores do Amazonas. Também promovemos um encontro em Tabatinga, com os gestores do Alto Solimões.
Nosso estado precisa de um comando descentralizado, que envolva Forças Armadas, Polícia Federal e órgãos estaduais e municipais em um plano de ação coordenado. Diálogo existe, mas falta ação concreta.

3. O crime organizado está dominando setores como pesca e combustíveis. Há medidas sendo discutidas para apoiar economicamente as comunidades afetadas, evitando que ribeirinhos e trabalhadores sejam cooptados por facções?

Comandante Dan: Gostaria que houvesse. Pessoalmente, defendo essa ideia: oferecer suporte real ao homem do interior. Os ribeirinhos são os principais agentes de preservação da Amazônia, mas estão vulneráveis ao crime por falta de alternativas econômicas.
No setor da pesca, por exemplo, o fortalecimento das colônias de pescadores e incentivos à conservação do pescado em escala comercial seriam fundamentais. Mas, muitas vezes, sinto que sou uma voz solitária nesse debate.

Próximos passos e mobilização política

O deputado ainda diz que seguirá cobrando respostas do governo estadual e federal e mobilizando apoio no Congresso Nacional. Ele afirma que, sem uma ação integrada e efetiva, a segurança pública no Amazonas continuará sendo um desafio crescente.

“Precisamos de respostas urgentes. Se não oferecermos alternativas econômicas e uma fiscalização robusta, o crime continuará se expandindo. Estamos lidando com facções altamente estruturadas, que enxergam a Amazônia como território estratégico para seus negócios ilícitos”, concluiu o parlamentar.

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