A Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado Federal ouvirá, nesta terça-feira (1º/6), a médica Nise Yamaguchi, uma das ideólogas do uso de cloroquina e ivermectina no tratamento precoce da doença no País. Nise, que não é pesquisadora, foi uma das primeiras a recomendar o uso do medicamento e se tornou uma das poucas defensoras deste método, cujo efeito não é comprovado em pesquisas científicas.
De acordo com o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), serão quatro sessões dedicadas a ouvir médicos especialistas em infectologia e virologia e, ainda, pesquisadores de áreas afins à saúde coletiva. Ainda segundo Aziz, as oitivas serão divididas e dedicadas a ouvir quatro favoráveis ao uso da cloroquina e ivermectina no tratamento da doença em duas sessões e, outras duas, ouvirão profissionais contrários a esse tratamento.
“Esperamos tirar uma posição sobre o uso desses medicamentos. A maioria dos senadores não tem conhecimento sobre medicina para dizer se funciona ou não”, explicou o presidente.
A depoente de terça
Nise Yamaguchi é apontada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta como a principal conselheira do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o uso da cloroquina. Em depoimento na CPI, Mandetta disse que foi chamado a uma reunião com Bolsonaro e Nise na qual a minuta de um decreto alterava a bula da cloroquina para permitir o uso contra a Covid-19.
Esse depoimento foi reforçado pelo presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres. “Ela (Nise) parecia mobilizada para regularizar o uso da cloroquina”, afirmou em depoimento na CPI.
Depois de Nísia, a próxima sessão com especialistas acontecerá no dia 11 de junho, quando deverão ser ouvidos o médico sanitarista Cláudio Maierovitch e a microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo Nathália Pasternak.
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