A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a ‘Capitã Cloroquina’, defendeu o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento precoce da Covid-19, garantindo que há estudos científicos mostrando os efeitos antivirais de um medicamento que está sendo criticada por conta de 20 mortes ocorridas em Manaus durante estudo realizado com pacientes que receberam altas doses e um segundo estudo publicado na revista Lancet, que depois soube-se ter dados inconsistentes.
A médica reforçou a posição dela em relação a esses medicamente ao responder perguntas do senador Marcos Rogério (DEM-RO), que apresentou protocolos usados em governo de estados como Alagoas, Bahia, São Paulo e Amapá. “Todos estes Estados preconizam o tratamento precoce, mas aqui [na CPI] fazem um cavalo de batalha contra o Governo Federal”, disse Marcos Rogério.
Entrave ideológico
Para Mayra Pinheiro, o entrave ideológico em relação a um medicamente conhecido, seguro e barato atrapalha o combate da pandemia. Disse ainda que, apesar de não ter estudos completos, feitos com quatro fase e que duram até quatro anos, pesquisas já indicam evidências consistentes dos efeitos dos medicamentos no tratamento da Covid.
A médica foi criticada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, por recomendar o uso de um remédio que não é antiviral, mas sim antiprotozoário. Alencar lembrou que cloroquina e hidroxicloroquina são usadas contra plasmódios, agente causador da malária. Ele questionou se para doenças causadas por vírus há tratamento precoces, o que Mayra respondeu apenas “não”.
“Há tratamento precoce para sarampo?”, questionou Alencar. “Não”, respondeu Mayra. “Pois é, só vacina”, replicou o senador baiano, que seguiu com a lógica para pontuar que contra doenças virais só vacinas são efetivas, citando doenças como poliomielite, varíola e H1N1. “Como inventaram agora que se uma pessoa se contamine há a cloroquina?”, revoltou-se o senador.
Mayra voltou a insistir que fase de testes de um medicamento demandam tempo, burocracia e investimento que um laboratório farmacêutica não vai fazer apenas para mudar a bula da cloroquina. “Não é antiviral, mas há evidências fortes de que tem efeitos”, garantiu a médica, defendendo o uso em momentos excepcionais, como na pandemia.
Texto: Gerson Severo Dantas
Leia Mais:
- Nove governadores e 12 prefeitos e ex-prefeitos estão na mira da CPI
- ‘Compre vacinas, presidente’, sugere Omar após cutucada em rede social
- Renan expõe contradições de Mayra sobre caos vivido em janeiro no AM
- Mayra silencia sobre morte de paciente tratada com cloroquina em Manaus
- ‘Capitã Cloroquina’ culpa mídia e volta a defender ‘opções terapêuticas’ na CPI
- Nove governadores e 12 prefeitos e ex-prefeitos estão na mira da CPI
- STF autoriza Mayra Pinheiro a falar na CPI, mas não tudo
- Consequências da motociata: Pazuello vai para a reserva do Exército
- CPI deve propor uso de emendas para expandir produção de vacinas
- ‘Nem em uma republiqueta vimos isso’, diz Omar sobre ‘motoqueiros do Apocalipse’
- Com ‘bis’ de Pazuello na CPI, Capitã Cloroquina vai depor na terça
- Aplicativo que orientava tratamento precoce foi criado pela Capitã Cloroquina