terça-feira, 22 de setembro de 2026
ECONOMIA

Copom decide Selic com inflação pressionada

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Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decide nesta quarta-feira, 29 de abril, o novo patamar da taxa Selic em meio à pressão da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis e inflação. A taxa básica está atualmente em 14,75% ao ano, depois de ter permanecido em 15% entre junho de 2025 e março de 2026, maior nível em quase duas décadas.

A expectativa do mercado, segundo o boletim Focus, é de redução de 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. A decisão será anunciada no início da noite. O Copom, porém, estará desfalcado, já que mandatos de dois diretores expiraram no fim de 2025 e ainda não houve envio de substitutos ao Congresso. Outro diretor também se ausentará por falecimento de parente de primeiro grau.

A inflação voltou a preocupar. O IPCA-15 de abril acelerou para 0,89%, pressionado por combustíveis e alimentos. Em 12 meses, o índice chegou a 4,37%, acima dos 3,9% registrados em março. A estimativa do mercado para a inflação de 2026 subiu para 4,86%, acima do teto da meta contínua, que é de 4,5%.

Desde janeiro de 2025, o Brasil opera com sistema de meta contínua de inflação. A meta central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação deve permanecer entre 1,5% e 4,5% no acumulado de 12 meses.

A decisão do Copom terá impacto direto sobre crédito, consumo, investimentos e custo da dívida pública. Cortar juros ajuda a atividade econômica, mas pode reduzir a força do combate à inflação. Manter juros elevados preserva a cautela, mas encarece financiamentos e pesa sobre famílias e empresas.

O Banco Central chega à reunião pressionado por um dilema clássico: aliviar a economia ou reagir ao risco inflacionário. A resposta indicará se a autoridade monetária vê a alta recente como choque temporário ou como ameaça mais persistente.

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