terça-feira, 22 de setembro de 2026

COP30 sofre pressão internacional por preços abusivos de hospedagem em Belém

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André Correa do Lago, presidente da COP 30 (Foto: Divulgação / Linkedin Amcham)

A cem dias da abertura da COP30, o governo brasileiro enfrenta crescente insatisfação de delegações estrangeiras com os altos preços das hospedagens em Belém (PA), cidade-sede da conferência climática. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, confirmou nesta quinta-feira (31/07) que países chegaram a pedir formalmente a mudança de local do evento, alegando inviabilidade financeira.

A declaração foi feita durante encontro promovido pela Associação de Correspondentes Estrangeiros (AIE) com o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). “Representantes de regiões pediram para tirar a COP de Belém. Isso aconteceu em uma reunião anteontem”, relatou Corrêa do Lago. “Acredito que talvez os hotéis não estejam se dando conta da crise que estão provocando.”

Na terça-feira (29/07), uma reunião extraordinária com o Escritório de Mudança do Clima da ONU (UNFCCC), o governo federal e o governador Helder Barbalho discutiu o impasse. A Secretaria Extraordinária da COP30 (Secop) informou que um novo encontro foi marcado para o dia 11 de agosto, com foco em temas como hospedagem, transporte, segurança e alimentação.

Segundo Richard Muyungi, presidente do Grupo Africano de Negociadores, o Brasil se comprometeu a apresentar um plano de acomodação no próximo encontro. “Recebemos a garantia de que revisitaremos isso no dia 11 para ter certeza se a acomodação será adequada para todos os delegados. O Brasil tem muitas opções para realizar uma boa COP”, declarou à agência Reuters.

A preocupação é que o cenário comprometa a participação de países em desenvolvimento, o que ameaça a diversidade e a equidade dos debates multilaterais. Representações da Europa, África, Oceania e da sociedade civil já anunciaram que pretendem reduzir suas comitivas. Há registros de tarifas que ultrapassam US$ 2 mil por noite em Belém.

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Alternativas

Como resposta à pressão, o governo brasileiro apresentou soluções alternativas. Entre elas, o uso de dois navios de cruzeiro — MSC Seaview e Costa Diadema — como alojamento temporário, com capacidade para até 6 mil pessoas. A operação exigiu garantia contratual de R$ 259 milhões, que poderão ser cobrados caso haja grande número de cabines desocupadas.

Outra medida em estudo é a utilização de imóveis do programa Minha Casa Minha Vida, ainda em construção, como alojamento emergencial. Já a Polícia Rodoviária Federal planeja abrigar seus agentes em salas de aula.

A Secop afirmou que o plano de hospedagem é executado em fases, priorizando neste momento as delegações envolvidas diretamente nas negociações oficiais. Segundo o governo, há atualmente 2.500 quartos disponíveis, com valores fixados entre US$ 100 e US$ 600 por noite.

A divisão prevista contempla:

  • 15 quartos por delegação para 73 países classificados como Países Menos Desenvolvidos (LDCs) e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEIDs), com tarifas entre US$ 100 e US$ 200;
  • 10 quartos por delegação para os demais países, com diárias entre US$ 220 e US$ 600.

Desde fevereiro, havia promessa da presidência da COP30 de lançar uma plataforma oficial de hospedagem, mas o prazo mais recente — fim de junho — também não foi cumprido. Na última conferência da ONU sobre clima, realizada em Bonn, o tema voltou a ser debatido com críticas abertas à estrutura de Belém.

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