O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convidou os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux; do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco (DEM/MG); da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP/AL); do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso; do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Arraes; para participar do desfile militar realizado na manhã desta terça-feira (10), mas nenhum deles aceitou o convite e esvaziou a tentativa do presidente de diminuir a temperatura da crise.
Quem também não participou do desfile foi o vice-presidente Hamilton Mourão, que segundo a assessoria dele não recebeu convite para participar do desfile.
A ausência mais significativa é a de Arthur Lira, hoje considerado o mais fiel aliado do presidente no Legislativo. Lira classificou “coincidência trágica” o desfile ser marcado para o dia em que a Câmara Federal vai votar e certamente rejeitar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Voto Impresso, uma das bandeiras que Bolsonaro defende com mais ênfase, tendo comprado até uma briga com Luís Roberto Barroso, a quem chamou, neste domingo, de “FDP” um insulto que nunca foi visto em público na história brasileira.
Sem a cúpula da República, o presidente teve de dividir a rampa do Planalto com o líder dele na Câmara Federal, o deputado Ricardo Barros (PP/PR), que deverá depor na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 nesta quinta-feira (12) sobre a suspeita de intermediação feita por ele para a compra da vacina Covaxin com sobrepreço de 50%. Já o líder do governo no Senado, senador Fernando Bezerra (MDB/PE), optou por participar da sessão da CPI, onde fez um discurso apaziguador, mas com críticas a qualquer tipo de ataque a democracia.
Texto: Gerson Severo Dantas
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