O presidente Jair Bolsonaro resolveu esticar de vez a corda em defesa da adoção do voto impresso na eleição do próximo ano e colocará tanques, lança-mísseis e tropas nas ruas no dia da votação final, nesta terça-feira (10), no plenário da Câmara Federal.
A Proposta de Emenda Constituicional que prevê a volta do voto impresso foi rejeitada, semana passada, na Comissão Especial, mas o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), decidiu levar a matéria para análise de todos os deputados, numa decisão pouco usual e que faz parte, segundo analistas, de um acordo com Bolsonaro.
Nesta mesma terça-feira, militares da Marinha vão desfilar pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e serão recepcionados pelo presidente Bolsonaro no Palácio do Planalto, quando o comandante do comboio entregará, oficialmente, um convite para Bolsonaro acompanhar a Operação Formosa, um exercício anual que a Força Naval realiza no município goiano de Formosa e que pela primeira vez contará com o reforço de tropas do Exército e da Aeronáutica.
A informação é da colunista do portal UOL Thaís Oyama, especialista em questões militares.
Essa demonstração de poderio militar no dia de uma votação importante para o Planalto foi vista como mais um ataque de Bolsonaro aos demais poderes da República.
Avisos a Bolsonaro
O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), se pronunciou em uma rede social. “Alguns avisos ao senhor inquilino do Palácio do Planalto. 1) Colocar tanques nas ruas não é demonstração de força, mas de COVARDIA (sic). 2) Os tanques não são seus, mas pertencem à Nação. 3) Quer tentar o golpe sr. @jairbolosonaro? É o crime que falta para lhe colocarmos na cadeia”, escreveu o senador.
Em Manaus, o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) avaliou que Bolsonato perdeu completamente o controle e vai colocar o País em conflito. “Ele é louco, não se faz isso. Está colocando as Forças Armadas contra o povo, pressionando os parlamentares e ameaçando a nossa democracia”, afirmou o deputado. “Não acredito que ele possa dar um golpe, mas cria essa clima de tensão, não se faz isso”, completou.
‘Nem é 7 de Setembro’
Já o ex-deputado – e um dos principais apoiadores do presidente Bolsonaro em Manaus – Marco Antônio Chico Preto (sem partido) disse que não acredita nessa mobilização de tropas “fora de época”. “As Forças Armadas vão para as ruas? Não é nem 7 de setembro”, brincou Chico Preto.
Chico Preto lembra que o presidente dá seguidas mostras de que está jogando dentro das quatro linhas da Constituição, agindo politicamente com o time de ministros, com o Ciro Nogueira (ministro-chefe da Casa Civil), que é do Centrão.
“Todo o processo desta questão do voto auditável está dentro do jogo político, ai o Arthur Lira sentiu que esse assuntou tomou uma dimensão grande e decidiu levar, mesmo contra o regimento, para que todos os deputados, que representam 200 milhões de brasileiros, possam se manifestar”, defendeu o ex-deputado. “Agora questão de militares nas ruas, acho que isso é colocar pena em jabuti”, finalizou.
Texto: Gerson Severo Dantas
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