Os políticos eleitos no Brasil precisam se lembrar constantemente de que seu compromisso com a população não termina no dia seguinte à posse.
Essa é a ideia central do artigo “Voto valorizado e cobrança do eleitor: caminhos para a mudança”, do ex-vice-governador do Amazonas, Samuel Hanan, que destaca a importância da ética, transparência e prestação de contas na gestão pública.
Hanan destaca que, após poucos meses das eleições, muitos políticos parecem esquecer suas responsabilidades, enquanto boa parte dos eleitores já não lembra em quem votou.
Esse distanciamento entre representantes e representados compromete a democracia e reforça a necessidade de fiscalização constante por parte da sociedade.
Fundo Eleitoral: um privilégio injustificável
Um dos principais problemas apontados por Samuel Hanan é o atual modelo do Fundo Eleitoral, que destina cerca de R$ 5 bilhões para campanhas políticas.
A distribuição do Fundo Eleitoral favorece um pequeno grupo de partidos, com sete legendas – PL, PT, União Brasil, PSD, PP, MDB e Republicanos – concentrando a maior parte dos recursos. Em 2024, essas siglas receberam aproximadamente 75% do valor total do fundo.
Isso significa que os candidatos à Presidência da República, governos estaduais e prefeituras das grandes capitais dependem do aval desses partidos para concorrer com chances reais de vitória, similar à estrutura e lógica das capitanias hereditárias, onde poucos detinham poder sobre o destino do país.
Hanan enfatiza que cabe à imprensa e às redes sociais alertar a população sobre esse cenário.
Ele reforça que o voto para deputados e senadores influencia diretamente as eleições para prefeitos, governadores e até para a Presidência da República, já que o tamanho das bancadas parlamentares define a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral.
Propostas para um sistema mais justo
Para mudar essa realidade, Hanan sugere três medidas urgentes:
- Fim da reeleição – para evitar o uso da máquina pública em benefício próprio;
- Tornar imprescritíveis os crimes contra a administração pública – garantindo que políticos corruptos sejam punidos independentemente do tempo que leve para o julgamento;
- Retomar a prisão após condenação em segunda instância – reduzindo a impunidade e aumentando a confiança na Justiça.
O principal para reverter esse quadro, segundo Hanan, é a sociedade eleger parlamentares sérios e comprometidos, que representem de fato os interesses da população.
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