O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, participou na noite desta segunda-feira (15) de entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante o debate, o ex-ministro foi enfático ao afirmar que o tratamento fiscal diferenciado da Zona Franca de Manaus (ZFM) será mantido, caso seja eleito.
A declaração veio após questionamento do jornalista Vinícius Torres Freire, do jornal Folha de S. Paulo.
Destacando o peso da atual carga tributária brasileira – que ele disse ser a mais alta desde 1995 -, o repórter lembrou a promessa de Ciro de aumentar a carga e criar novos impostos, o que prejudicaria as classes mais altas, e reduzir as isenções fiscais.
“Além da tributação dos ricos, Simples Nacional que vai pegar a classe média alta, altíssima e rica, o senhor quer tirar algumas isenções. A Zona Franca de Manaus vai ficar como está?”, perguntou.
Ao responder, o candidato explicou didaticamente os motivos que justificam a necessidade de se manter as vantagens comparativas do Polo Industrial de Manaus (PIM), além de enfatizar o volume de produção das fabricantes aqui instaladas, classificando como “equívoco grosseiro” a decisão tomada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em reduzir linearmente as alíquotas do IPI em todo o território nacional.
“[A ZFM] vai ficar e vai ser prestigiada. O Polo Industrial de Manaus produz 8% da produção industrial brasileira. Ali é um elemento de integração nacional. Ali não é sede de nenhum dos insumos. E ali não é sede do mercado doméstico. Então é um passeio dos insumos e um passeio da mercadoria. Se não houver uma indenização deste passeio nós vamos destruir 8% da produção industrial brasileira no meio daquela delicadíssima ambiência econômica que é a Amazônia”, pontuou.
ZFM como elemento de integração nacional
Ciro Gomes também aproveitou a oportunidade para afirmar que estuda, juntamente com a candidata do PDT ao governo do Amazonas, Carol Braz, estratégias que possam garantir uma maior nacionalização do processo produtivo do PIM e diversificar o modelo no interior do Estado.
“Estamos estudando juntos diversificar. Tirar a coisa de ser só uma ‘maquiadora’, já que tudo vem do estrangeiro, para produzir, com conteúdo nacional incentivado, e diversificar para o interior, para que ele se justifique como elemento de integração nacional”, conclui Ciro.
Texto: Lucas Raposo
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