quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Centro de Biotecnologia ganha novos rumos com gestão privada

Geraldo Alckmin assina, hoje (25), a transferência de gestão do Centro de Biotecnologia da Amazônia para a FUEA
COMPARTILHE
Sede do CBA, em Manaus
Centro de Bionegócios da Amazônia está apto, desde dezembro, a receber investimentos via lei de PD&I

Vinte e quatro anos após ser pensado em uma conversa informal entre os pesquisadores Spartaco Astolfi Filho, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e Luiz Antonio Oliveira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em um shopping de Brasília, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) ganha uma administração própria e abre novos rumos para a bioeconomia no País.

Essa nova fase será marcada pela assinatura do contrato de transferência de gestão que será firmado entre o Ministério do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA), nesta terça-feira (25).

A assinatura do contrato acontecerá às 10h, logo antes da 310ª reunião do Conselho de Administração da Suframa, que será presidida pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

“O idealizador foi o Spartaco, que conversou comigo sobre o CBA em 1999, num shopping em Brasília. A ideia original era que fosse criado no Inpa, mas por falta de espaço se buscou outras soluções, incluindo a de que o prédio fosse feito na Ufam. Quando a Suframa soube, comprou a ideia e graças aos esforços dela, nós estamos hoje aqui neste prédio”, relatou Luiz Antônio Oliveira durante seminário na Câmara Federal.

No ano passado, quando do lançamento do edital para a escolha da Organização da Sociedade Civil (OS) que vai gerir o CBA, Spartaco Astolfi falou sobre o momento da criação do CBA:

“Houve a participação de muitos pesquisadores e a ideia era realmente construir um Centro de Biotecnologia que fosse voltado para aproximar a academia do setor industrial, acelerando o desenvolvimento da biotecnologia e o ideal era criar alternativas biotecnologicas para agregar valor aos produtos da floresta visando melhorias sócio-econômicas do povo da Amazônia. O edital chega para sanar os entraves burocráticos e o Centro ajude a aproximar a academia ao mercado”, relembrou.  

Centro de Biotecnologia sai do papel em 2002

Da ideia a criação formal do CBA, passaram-se quase três anos, quando em 2002 o governo de Fernando Henrique Cardoso criou o Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade (PROBEM), que constava do primeiro Plano Plurianual do Governo Federal (PPA).

O CBA então foi instituído em 2002 pelo decreto 4.284, sendo seu sua administração atribuída a um Conselho representado por três ministérios: o MDIC, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Nos primeiros anos o centro foi gerido por Spartaco com um grupo pequeno de pesquisadores oriundos de fundações ligadas a Suframa, como as extintas Fucada e Fucapi e 70% dos recursos bancados pela Suframa.

A marca deste período é o icônico edifício sede, projetado pelo escritório RR Roberto, de Brasília.  A inauguração ocorreu em dezembro de 2002 e o valor da obra chegou a R$14,5 bilhões, 71% bancado pela Suframa e 29% pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Recursos para o Centro de Biotecnologia foi o problema

Esse modelo de financiamento acabou sendo o problema que travou a gestão e o desenvolvimento do Centro de Biotecnologia da Amazônia, pois em grande parte dos governo de Lula e Dilma houve contingenciamento de verbas da Suframa, além da impossibilidade de captação de recursos privados.

No início do governo de Dilma Rousseff este modelo se exauriu com a complementação da infraestrutura, que hoje conta com 12 mil metros quadrados e ao menos 30 laboratórios. Para cuidar deste gigante foi escolhida a Fundação de Defesa da Biosfera (FDB), que ficou até 2015, quando foi substituída na gestão pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro).

A aposta do momento foi a transformação do CBA em uma Fundação Pública de Direito Privado, que permite captar recursos do Estado e da iniciativa privada, habilitando os pesquisadores a resolverem problemas enfrentados pelos financiadores.

“O CBA terá um ciclo completo: a pesquisa deverá resolver um problema e criar um produto que vai gerar emprego e renda ao final”, afirma o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva.

Caberá a OS Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA) criar esse novo futuro para a bioeconomia sustentável do Amazonas. Mas quem é a FUEA?

Essa OS foi formada por um consórcio que uniu três:

  • Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (Fuea)
  • Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
  • Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT-SP)

Para administrar essa missão, o MDIC indicou e já deu posse ao presidente do Conselho Administrativo, o ex-governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg, que trata no ministério da Economia Biosustentável.

O que espera-se do Centro de Biotecnologia?

A bioeconomia tem, segundo especialistas, um potencial ainda não totalmente medido, mas algumas áreas que podem ser “atacadas” pelos pesquisadores do Centro de Biotecnologia da Amazônia são bastante expressivos.

“O mercado global de flores ornamentais é da ordem de R$ 10 bilhões; o de cosméticos, R$ 68 bilhões e a microbiologia de R$ 30 bilhões. Números como esses mostram que o CBA precisa ser visto como uma solução para o Amazonas, que enquanto isso importa pescado para atender a demanda interna e o açaí ainda é cultivado de forma extrativista”, diz o pesquisador Frank Zanirato.

“Só na minha área, o estudo de enzimas, há um grande déficit de pesquisas. Conhece-se hoje cerca de 5,5 mil enzimas, mas a estimativa que haja cerca de 200 milhões. Estou orientando, por exemplo, uma pesquisa com bactérias que deglutam lactose e glúten. Por conta de pessoas alérgicas, trata-se de um mercado que movimenta R$ 25 bilhões em produtos”, completa Luiz Antônio Oliveira.

COMPARTILHE