quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Castanha da Amazônia vira token digital e gera renda para famílias extrativistas

COMPARTILHE
castanha extrativismo

Um projeto desenvolvido pela ForestiFi, fintech de Manaus especializada em investimentos de impacto, e pela Zeno Nativo, empresa que atua com populações tradicionais no Rio Acará (PA), transformou 1.850 quilos de castanha da Amazônia em ativos digitais.

A iniciativa arrecadou R$ 114,7 mil em abril de 2025 por meio da venda de 4.588 tokens a R$ 25 cada, beneficiando mais de 50 famílias extrativistas da região.

Investimento e retorno financeiro

Cada token terá resgate previsto em setembro de 2025 no valor de R$ 26,69, gerando valorização de R$ 7,7 mil e movimentação total de R$ 122,4 mil. O capital captado será destinado diretamente às famílias extrativistas envolvidas na coleta da castanha.

Glauco Aguiar, cofundador da ForestiFi, destacou que a tokenização amplia o acesso de pequenos produtores a recursos financeiros.

“Mostramos que a castanha extraída anualmente é um ativo legítimo, capaz de servir como lastro para a captação de recursos”, disse.

📲 Participe do canal do RealTime1 no Instagram

Produção sustentável e sociobiodiversidade

Zeno Gemaque, cofundador da Zeno Nativo, explicou que a parceria surgiu em evento promovido pela aceleradora AMAZ. O beneficiamento da castanha inclui seleção, descasque, desidratação, embalagem e logística.

Desde 2012, a Zeno Nativo já comercializou 15 toneladas de castanha e cinco de cacau fino, preservando 17 mil hectares de floresta com certificação orgânica do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Atualmente, a empresa atua com mais de 300 famílias extrativistas da Amazônia, fornecendo produtos para mercados que valorizam rastreabilidade e práticas sustentáveis.

Contexto ambiental no Pará

Segundo o Imazon, o Pará registrou 1.260 km² de desmatamento no último ano, o maior índice do país. Para os empreendedores, valorizar a sociobiodiversidade é alternativa para enfrentar pressões como queimadas e garimpo ilegal.

A Zeno Nativo estuda a possibilidade de tokenizar outros produtos, como o cacau, em futuras rodadas.

Reconhecimento internacional

A ForestiFi já desenvolveu seis projetos de tokenização, envolvendo também cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem, captando quase R$ 500 mil desde sua fundação.

Em abril, a startup foi reconhecida pela campanha internacional Change 100 como uma das iniciativas de sustentabilidade mais inovadoras do mundo, durante o evento Change Now, em Paris.

Segundo Glauco Aguiar, a meta é consolidar a ForestiFi como referência global em tokenização de ativos da natureza. “Esse reconhecimento reforça a relevância do trabalho e abre portas para novas conexões internacionais”, afirmou.

Sobre a ForestiFi

A ForestiFi conecta investidores a cadeias produtivas da Amazônia por meio da tokenização, utilizando blockchain para rastreabilidade e transparência.

Sobre a Zeno Nativo

A Zeno Nativo, fundada por Zeno Gemaque e Coi Belluzzo, atua em Acará (PA) no beneficiamento de castanhas e cacau nativos, com foco em qualidade, rastreabilidade e valorização das comunidades extrativistas.

COMPARTILHE